Uma sessão de overclock extremo ÉPICA – Testando os Epyc 4585PX e 4124P abaixo de zero!
Após algum tempo um pouco afastado, nada como fazer uma retomada com testes de overclock extremo e é exatamente esse o assunto desse artigo, com a apresentação e os resultados obtidos por uma dupla épica: O Epyc 4124P e o Epyc 4585PX!
Apesar da linha Epyc remeter aos gigantes destinados aos servidores, no socket AM5, a AMD criou as linhas Epyc 4004 e 4005, onde a primeira usa a arquitetura Zen4 e a segunda Zen5 e apesar do nome, eles compartilham o mesmo design dos Ryzen 7000 e 9000 baseados em chiplets, apenas com alguns modelos ‘novos’ com maior apelo a quem deseja montar um servidor ou workstation compactos, por exemplo, enquanto o 4565P é exatamente igual ao 9950X, o 4545P mantém os 16 núcleos, entretanto, com boost de 5.4GHz e TDP de 65W, uma configuração que não existe na forma de um Ryzen.


Um detalhe interessante é que esses Epyc AM5 funcionam em qualquer placa-mãe AM5, não sendo necessário o uso de placas-mãe voltadas a uso industrial, servidores ou workstations. Outro ponto é que assim como os Ryzen, eles também são destravados para overclock.
O maior diferencial entre esses Epyc e os Ryzen, fica por conta do suporte oficial a ECC UDIMM (não confundir com RDIMM), algo que extra-oficialmente também funciona nos Ryzen, contudo, em ambos os modelos, é necessário usar uma placa-mãe cujo suporte a ECC tenha sido implementado.
Feitas as apresentações, vamos aos processadores do nosso teste!
- Epyc 4124P
O primeiro deles é o Epyc 4124P, que se trata do ‘Ryzen 3’ AM5 que a AMD não fez, ou seja, um quad-core baseado na arquitetura Zen4, com frequência de boost máximo de 5.1GHz e TDP 65W. Apesar dessas especificações sugerirem que esse processador pode ser baseado em alguma APU, na real, trata-se do mesmo design em chiplets dos Ryzen 7000.
O foco desse modelo são pequenos servidores que dependem mais de IO do que desempenho bruto de uma CPU com muitos núcleos, o que dá sentido a existência desse modelo. De todo modo, já fizemos uma série de testes dele em uma live, em que ele se mostrou até capaz de ser usado em jogos, contudo, com uso de CPU elevado em alguns títulos.
A parte legal é que tive acesso a duas amostras, vamos chamar de 0100 e 0090, onde a 0090 se mostrou ser de qualidade ligeiramente superior, rodando benchmarks pesados como o Cinebench R20 @ 5.6GHz na água, algo que o 0100 não foi capaz de fazer, apesar de também não ter feito vergonha, perdendo por algo como 25~50MHz a depender do teste. Em relação ao IO Die, ambos foram capazes de rodar DDR5-8000 com facilidade, ainda que DDR5-6600 não tenha ficado 100% estável com 1.3V de VDDSOC em nenhuma das duas amostras.
- Epyc 4585PX
Enquanto o 4124P é mais modesto, a segunda CPU desse artigo é um verdadeiro monstro! O Epyc 4585PX vem com 16 núcleos baseados na arquitetura Zen5, além de contar com frequência de boost máximo de 5.7GHz e TDP 170W, mas o seu maior destaque é o 3D V-Cache em um dos CCDs, que adiciona 96MB de L3 em um dos CCDs, o que dá uma baita ajuda nos jogos e benchmarks 3D.
Se essa descrição lhe pareceu familiar, é porque o 4585PX é basicamente um 9950X3D de terno e gravata, destravado e com o mesmo ‘poder’ do Ryzen, em outras palavras, as placas-mãe, coolers e afins que dão conta de um, vão dar conta do outro.
O foco desse artigo será os resultados em benchmarks 2D com uso de refrigeração extrema, contudo, é bem possível que no futuro volte a abordar o lado dos benchmarks 3D, já que em teoria, esse é o ponto forte desse modelo.
- Isolamento e preparação da plataforma
Para esses testes, a placa-mãe escolhida foi a ASRock B650M-HDV/M.2, já que ela já foi bastante provada para uso extremo e tem a vantagem de ser razoavelmente acessível, uma rara combinação de características.
Sobre o isolamento, foi feito com 3 camadas de plastidip e papel toalha, tornando a placa meio que a prova d’água, poupando-a de eventuais tragédias com condensação. Não fica bonito, mas é inegavelmente funcional. 🙂

Configurações utilizadas:

CPU: AMD Epyc 4124P e 4585PX (Obrigado AMD!)
MOBO: ASRock B650M-HDV/M.2 (BIOS 4.10)
RAM: 2x16GB Kingston Fury DDR5-8000 CL38 (Obrigado Kingston!)
GPU: Powercolor RX 6800 XT Red Devil
PSU: Cooler Master MWE Gold 1250 V2 Full Modular (Obrigado Cooler Master!)
COOLER: Kingpin F1 Dark e Gelo Seco.
STORAGE: Kingspec 240 GB SATA
Software utilizado: Windows 10 x64 22H2 Ghostspectre, Benchmate e Geekbench 3.4.4
Objetivo dos testes:
Descobrir qual o limite no overclock extremo com gelo seco para os Epyc 4124P e 4585PX, além de verificar como eles se comportam quando submetidos ao frio extremo e ao fim, obter alguns resultados nos benchmarks.
Explicações acerca da metodologia adotada ou de como os testes foram conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.
Resultados:
Apesar desses processadores usarem arquiteturas diferentes, um Zen4 e outro Zen5, existem muitas semelhanças, como o IO Die, package similar e o processo de fabricação, onde os 4nm são uma evolução dos 5nm, dessa forma, o comportamento no overclock extremo não é costuma ser muito diferente entre as duas gerações. No caso desse teste, como foi usado apenas gelo seco, atingindo temperaturas na casa dos -50 °C, aí problemas como CBB, coldboot bug, que se trata da temperatura mínima na qual o sistema consegue passar no post, não existem na maioria esmagadora dos exemplares.
- Epyc 4124P
O primeiro a ir para o gelo foi o 4124P, o qual finalizou os benchmarks com frequências entre 5900 e 6200 MHz e tensão de até 1.34V, a depender do benchmark, o que é excelente apenas para gelo seco! Além disso, ele foi bom para rodar a memória em até 6800 MT/s CL28 no modo 1:1 e isso com apenas 1.3V no VDDSOC.
Ao tentar subir a ram para 7000 MT/s, infelizmente o post falhou e a plataforma não se recuperou mais, o que é um tanto estranho, mas como já havia rodado vários benchmarks, então tenho os números para mostrar! 🙂
Quebrar recordes no gelo seco seria impossível para esse modelo, mas os resultados ainda foram bons para ficar ali na casa dos 60 global points no HWBOT, com o GPUPI pegando um TOP-30 na categoria quad core.
Não digo que seria possível bater recordes com esse exemplar no LN2, afinal, não se sabe como ele se comporta abaixo de -100°C, mas caso ele seja tolerante a baixas temperaturas, chegar pelo menos nos 6.6GHz não deve ser uma tarefa muito difícil.







- Epyc 4585PX
O próximo foi o poderoso 4585PX, o qual finalizou os benchmarks com frequências entre 5550 e 6100 MHz, com vcore entre 1.25~1.34V, o que é uma marca bem razoável para gelo seco! Além disso, aqui a ASRock B650M-HDV/M.2 colaborou e foi possível rodar os testes com a RAM cravada em 8000 MT/s.
Apesar das frequências parecerem meio ‘nerfadas’ em relação ao 4124P, é bom lembrar que o 4585PX dissipa MUITO mais calor, de forma que mesmo no gelo seco, a temperatura do pot em load subia coisa de +8°C em relação a idle, fora que tem um CCD a mais para jogar na loteria do silício e para estressar o IO Die, de todo modo, esse chip pareceu ter ficado entre o mediano e o bom.
Novamente, quebrar recordes no gelo seco seria impossível para esse modelo e assim como o 4124P, esses resultados foram bons para ficar ali na casa dos 60 global points no HWBOT, com o Geekbench 3 colado no TOP-30.








Por fim, a tradicional foto do hardware todo congelado, algo que nunca pode faltar em um post sobre overclock extremo!


Conclusão:
Ambos Epyc e a placa-mãe sobreviveram a sessão de overclock extremo, com ambos 4124P e 4585PX não tendo problemas para operar com temperaturas de até -50°C, o que era de se esperar.
O 4124P se mostrou um exemplar muito promissor, rodando vários benchmarks pesados acima dos 6 GHz no gelo seco, o que implica, caso ele não tenha nenhum cold bug chato, que no LN2, ele pode atingir pelo menos seus 6.6 GHz e encaixar alguns resultados no top-20 ou quem sabe top-10.
Já o 4585PX foi bem nos testes e apesar de não parecer ser um exemplar destruidor de rankings, certamente está acima da média, completando benchmarks um pouco mais pesados na casa dos 5.9 GHz. É bom lembrar que a chance de conseguir uma CPU monstra com 2 CCDs é um bom tanto mais baixa que os de 1 CCD, afinal, é necessário ganhar na loteria em um die a mais e o IO Die precisa ser realmente bom, já que ele é mais exigido por estar usando 2 CCDs.
E por hoje é só! Dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima!




