Artigos, CPUs

Core i5 9600K – Primeiras impressões, overclock e benchmarks

Fala pessoal, tudo certo?

Alguns meses atrás, publiquei um artigo a respeito da plataforma 1151 que havia adquirido para ser usado em futuros testes e comparativos aqui na página, no caso, tratava-se de um combo com a lendária ASRock Z170M OC Formula e um i3 6100. Evidentemente que de uns tempos para cá, CPUs dual-core se tornaram sinônimo de “low-end” sendo relegados a modelos com preço sugerido abaixo dos $100, o que significa que precisava arranjar um CPU Intel com mais núcleos e agora, depois de alguns meses e com uma pequena “mãozinha” dos nossos amigos da Terabyteshop, venho lhes apresentar mais uma novidade aqui na página, um Core i5 9600K! 😀

O modelo em questão trata-se de um hexa core de 9ª geração sem suporte a Hyper Threading, com clock base de 3.7GHz, turbo de @ 4.6GHz e tudo isso com um TDP de 95W (ao menos se estiver com o MCE desabilitado na bios). Outra coisa que devo destacar é que esse CPU é desbloqueado para overclock e que ao contrário daquilo que ocorria até na 8ª geração, agora a Intel decidiu por usar solda (sTIM) como interface térmica entre o DIE e o IHS dos CPUs “K” de 9ª geração, ao meu ver uma decisão muito acertada por dispensar a necessidade de se fazer delid nesses CPUs, poupando despesas extras com ferramentas e metal líquido. 🙂

Abrindo um parênteses aqui: É destacar que esses modelos “K” de 6ª geração em diante não acompanham cooler box, então é importante já ter isso em mente caso venham a adquirir um desses processadores visando evitar frustrações do tipo “ah, chegaram todas as peças do pc mas não tenho como ligar ele por falta de cooler! 😦 “.

Apesar do i5 9600K ser um hexa core, ele utiliza o mesmo die usado nos 9700K/9900K porém com dois núcleos e HT desativados, algo que provavelmente foi feito assim por questões econômicas, afinal de contas, em relação aos CPUs de 8ª geração, esses novos que usam sTIM possuem PCB um pouco mais “alto” e o próprio DIE tem algumas camadas a mais de material para conferir maior resistência ao CPU devido ao processo de solda, então, por existir apenas um SKU “K” com seis núcleos ativos, deve ter sido melhor partir para o “die harvesting” do que investir tempo e dinheiro na readequação do projeto do “hexa core nativo” para que o mesmo pudesse passar pelo processo de solda. De todo modo, isso não é algo de todo ruim, afinal de contas, o DIE “octa core” tem maior área e isso deve favorecer um pouco as temperaturas do processador.

Por fim, esse vídeo do der8auer mostra tudo isso que foi dito no paragrafo acima e de quebra mostra o i9 9900K com delid, portanto, recomendo a todos que o assistam por se tratar de um vídeo bastante interessante e informativo! 🙂

No que diz respeito a arquitetura, todos esses CPUs 1151 de 6ª,7ª,8ª e 9ª gerações são derivados do “Skylake” de 2015 sendo que nesse aspecto, as únicas diferenças foram na contagem de núcleos, que dobrou entre 6ª e 9ª geração, o gerenciamento de energia/turbo que foi aprimorado, o IGP que também sofreu uma pequena atualização no que diz respeito ao suporte a alguns codecs de vídeo, saída de vídeo, menor consumo e com isso, passou de Gen9 para Gen9.5 e implementação de correções para algumas falhas de segurança, portanto, naquilo que diz respeito ao IPC, tudo se manteve praticamente igual entre todas essas gerações.

Se em relação a arquitetura pouco mudou, o mesmo não pode ser dito em relação ao processo de fabricação de 14nm, que foi bastante otimizado com o tempo e basicamente foi o maior responsável pelos ganhos na frequência observados entre as supracitadas gerações. Como pode ser visto nos gráficos abaixo, o processo 14nm++ usado pela Intel nas 8ª e 9ª gerações apresenta melhor desempenho (leia-se, capacidade de condução de corrente) até mesmo em relação ao inexistente processo de 10nm+.

No que diz respeito ao preço, o i5 9600K tem MSRP de $262, ou cerca de R$1350 aqui no Brasil, o que é algo mais caro que o Ryzen 5 2600X que pode ser encontrado por R$1029 e em relação a esse último, o único trunfo do i5 9600K é o maior desempenho single thread, o que pode fazer a diferença em alguns jogos.

Sobre a questão da compatibilidade, oficialmente os CPUs de 8ª e 9ª geração são compatíveis apenas com as placas-mãe com chipset Z370/Z390, entretanto, como já detalhei no artigo que citei logo no inicio, existem meios de fazer esses CPUs funcionarem nas placas mais antigas com biosmods e uma pequena modificação física que consiste em fechar o contato entre dois pads no CPU, algo que pode ser feito até mesmo usando um lápis 2B, conforme pode ser visto na galeria abaixo.

Caso alguém venha a se interessar pelas modificações, segue o link para thread do HWBOT relativo a ASRock Z170M OC Formula. 🙂

  • Configuração utilizada:

CPU: Intel Core i5 9600K (Obrigado Terabyteshop!)

MOBO: ASRock Z170M OC Formula

RAM: 2x8GB GSkill Flare X 3200 CL14

GPU: XFX RX590 Fatboy 8GB (Obrigado Terabyteshop!)

PSU: Antec Quattro 1200W

COOLER: Water cooler custom

SSD: Sandisk SSD Plus 120GB

SO: Windows 10 x64 1809

Objetivos do teste:

Verificar o comportamento do CPU com o MCE (Multicore Enhancement) ativado e a diferença que o mesmo pode fazer nos resultados dos benchmarks e também descobrir qual o limite do overclock nesse exemplar utilizando refrigeração a água. Maiores detalhes sobre os testes estão contidos nos textos abaixo.

  • Resultados:

Antes de irmos aos resultados com MCE ativado vs desativado, cabe uma pequena explicação acerca dessa função, que basicamente trata-se de uma opção na UEFI, que em várias placas-mãe 1151 já vem ativada por padrão e que faz com que o CPU sempre atinja a frequência máxima do turbo, independentemente do workload, por exemplo, no caso do i5 9600K, vai bater 4.6GHz rodando o Cinebench R15 ST e vai bater 4.6GHz em todos os núcleos ao rodar o MT. Evidentemente que esse artifício vai produzir melhores resultados nos benchmarks, entretanto, isso viola o TDP do CPU e é um detalhe que precisa ser observado em comparativos, afinal de contas, com essa opção ativada, o CPU não está exatamente em stock, podendo invalidar os resultados. Para os mais familiarizados com o lado AMD da força, é mais ou menos como alguém que tenha uma placa-mãe ASUS ativar o “Performance Bias” e colocar o “Performance Enhancer” no nível 3 e querer chamar isso de “stock” nos comparativos… Simplesmente não é! 😉

Para os resultados obtidos nos gráficos abaixo, usei as memórias rodando @ 3200 XMP e com o MCE desativado, a frequência do CPU oscilou entre 4400~4500MHz durante o teste single thread do Cinebench R15 enquanto que no MT, o mesmo foi para cerca de 4300MHz.

Os resultados apresentaram uma maior diferença nos benchmarks MT, sendo que no Cinebench R15 MT essa diferença foi de cerca de 5.5% e no CPU-Z chegou aos 9.4%, algo significativo, especialmente se levarmos em consideração um cenário de comparativo.

Em relação ao overclock e resultados nos benchmarks competitivos, esse exemplar foi capaz de completar qualquer um desses testes rodando com uma frequência de 5100MHz com 1.35V e uncore na vizinhança dos 4800MHz, o que é bastante razoável, entretanto, para conseguir completar uma run do Cinebench R15 @ 5.2GHz foi necessário aumentar o vcore para 1.475V, o que por si só inviabilizaria o uso diário desse CPU nessa frequência.

Sobre as memórias, ainda que nos resultados abaixo esteja rodando um pouco abaixo dos 4200MHz, consegui atingir essa frequência com latências como 14-14-14-28, 1.65V no VDIMM e 1.35V no VCCSA, entretanto, estava encontrando problemas com a placa-mãe as vezes “bugando” no post nessas condições, algo que não ocorreu ao usar as frequências dos resultados abaixo.

Conclusão:

Em relação as gerações anteriores, a 9ª geração dos processadores Core trás um aumento na “core count” e agora os CPUs “K” tem o IHS soldado, o que é algo muito bem vindo pois dispensa o investimento extra em ferramentas de delid e interfaces térmicas caras, entretanto, apesar de usar o mesmo socket 1151, não existe retrocompatibilidade “oficial” com as placas-mãe Z170/Z270, o que é algo ruim pois a concorrência oferece isso por um preço menor, alias, o único trunfo do i5 9600K sobre a concorrência é o seu desempenho em single thread e acredito que a compra desse modelo em especifico só se justifica se for justamente essa a necessidade do comprador.

Sobre os testes com overclock, esse exemplar pode ser considerado bem mediano atingindo 5.1GHz com tensão de trabalho bastante razoável, o que não deixa de ser algo digno de nota e mérito do processo 14nm++, que até o momento, vem segurando as pontas enquanto a Intel não resolve seus problemas com o processo de 10nm. No que diz respeito aos benchmarks competitivos, esse CPU pode ser bem aproveitado nos benchmarks 3D clássicos, que usam uma ou duas threads e não escalam com o HT.

E por enquanto é só, dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas, até a próxima!

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