Artigos SSDs e armazenamento

[Review] SSD NVMe Goldenfir 256 GB

Fala pessoal, tudo certo?

Nesse review irei analisar o SSD Goldenfir 256 GB, que se trata de uma unidade NVMe com suporte a PCIe 3.0 X4 no formato M.2 2280 e que pode ser adquirida diretamente da China por meio da loja oficial do fabricante no Aliexpress a um valor muito convidativo, entretanto, será que esse é de fato um bom produto ou será apenas mais um caso em que o “barato sai caro”? 😉

Em relação à caixa, ela simplesmente não existe, pois, o SSD veio dentro de uma embalagem anti-estática lacrada, protegido por plástico bolha dentro de uma caixa de papelão genérica, portanto, a ausência de uma embalagem diferenciada destacando o produto e a marca certamente é um dos aspectos a contribuir com o preço atrativo do produto, de todo modo, a mercadoria chegou intacta no destino, então, da para dizer que ela cumpre o seu papel principal que é a de proteger o seu conteúdo.

Como disse anteriormente, esse é um SSD no padrão M.2 2280, onde esse número se refere ao tamanho do pcb sendo os dois primeiros dígitos referentes a largura (22 mm) e os dois últimos ao comprimento (80 mm) e no caso, o 2280 costuma ser o mais comum para SSDs M.2 NVMe. Ainda sobre esse “form factor”, cabe ressaltar que existem diversos dispositivos M.2 no mercado, por exemplo, módulos Wi-Fi ou mesmo SSDs SATA nesse padrão e que naturalmente, esses últimos são bem mais lentos que seus “primos” NVMe apesar de também serem M.2.

Já a respeito do padrão NVMe, trata-se de uma especificação de dispositivo que foi criado para permitir o acesso de dispositivos de armazenamento usando memórias não-volátil (aka SSDs) pela interface PCIe, o que naturalmente traz uma série de vantagens sobre os outros padrões pré-existentes como o SATA, que originalmente foi desenvolvido para uso com HD’s e por essa razão não exploram tudo que os SSD’s modernos podem oferecer. Das vantagens, é possível citar a maior largura de banda oferecido pelo barramento PCIe, o menor overhead de I/O e um recurso chamado HMB (Host Memory Buffer), que permite ao SSD alocar uma parte da memória RAM principal como buffer, possibilitando o desenvolvimento de unidades ‘DRAM-Less’ com desempenho muito mais consistente do que as unidades SATA ‘DRAM-Less’, que por conta das limitações dessa interface, não permitiam fazer esse tipo de “manobra” para extrair melhor desempenho desses SSDs. Caso alguém tenha interesse em se aprofundar no funcionamento disso, sugiro a leitura desse paper que explora as possibilidades para implementação do recurso e os respectivos ganhos de desempenho.

Sobre o SSD, existem poucos componentes no PCB, no caso, é possível destacar a controladora que é um chip que integra a interface PCIe NVMe, um processador com número de cores que pode variar entre diferentes modelos, SRAM, controlador de memória NAND Flash e caso ela ofereça suporte a DRAM Cache, um controlador de memória DDR3/4 e também, dois chips de memória NAND.

Falando especificamente do Goldenfir 256 GB, a controladora utilizada é a Silicon Motion 2263XT, que é uma controladora ‘DRAM-Less’, possui até quatro canais de memória Flash, suporte a HMB e o “brief” do produto pode ser encontrado nesse link, enquanto os chips de memória NAND são do tipo 3D TLC de 96 Layers, fabricadas pela Intel/Micron, possuem código MT29F512G08EBHBF e são de 128 GB cada um.

Feitas as apresentações, vamos às configurações utilizadas e aos resultados!

  • Configuração utilizada:

MOBO: ASUS TUF X570-PLUS/BR (UEFI 2407)

RAM: 2x8GB Crucial Ballistix Sport LT 3200CL16

GPU: Galax GTX1650 Super (Obrigado Galax!)

PSU: Coolermaster 520W

COOLER: Wraith Prism

SSD: Goldenfir NVMe 256GB

Software: Windows 10 x64 2004, Anvil Storage Utilities V110, Crystalmark 7.0.0 x64, DiskBench, FFXIV Shadowbringers Benchmark, PCMark10

Objetivo dos testes: Aferir o desempenho do SSD em diversos benchmarks que simulam diferentes condições de uso. Para obtenção desses números, o SO está instalado em outra unidade enquanto que no SSD de teste foram instalados apenas o PCMark10, o FFXVI Benchmark e a cópia da pasta do GTA V.

Mais explicações acerca dos testes conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

Resultados:

Para melhor organização dos resultados, optei por separar os benchmarks em “Testes do mundo real” e “Benchmarks sintéticos”, onde os primeiros tendem a simular o uso normal do PC, ou seja, tempos de carregamento de aplicações, jogos e cópia de arquivos, enquanto o segundo grupo, que é o dos “Benchmarks sintéticos”, mostram números de desempenho em leitura/escrita/IOPS em algumas situações usando tipos de dados pré-definidos.

  • Testes do “mundo real”:

Foram feitos os seguintes testes:

  1. PCMark10: Uma “run” customizada apenas com o subteste “App Start-Up Score”, que basicamente mede o tempo de carregamento de uma série de aplicações de produtividade como OpenOffice, GIMP, Chromium e Firefox tanto para partida “fria”, que é a primeira vez que o aplicativo é aberto e uma segunda partida “quente”, que é após a “fria” e normalmente é mais rápida por conta do sistema já ter armazenado muita coisa em cache. Ao fim, ele retorna uma pontuação que pode ser usada para comparar diferentes SSDs.
  2. FINAL FANTASY XIV: Shadowbringers Benchmark: Esse teste inclui além dos resultados gráficos, os tempos de loading de cada cena, o que é interessante, pois essa ferramenta dispensa o uso de um cronômetro externo, que seria uma fonte de “imprecisão” nos resultados.
  3. DiskBench: Essa ferramenta permite mover um arquivo ou pasta de um lugar para o outro e salvar o tempo que levou para isso e a taxa de transferência média, no caso, visando simular uma situação de uso real fazendo backup da pasta de instalação de um jogo, foi escolhido o GTA V da Epic Games, que possui “apenas” 89 GB e foi copiada dentro da mesma unidade, em outras palavras, foi feito uma cópia do ‘G:\GTAV’ para o ‘G:\Diskbench’.

E aqui o Goldenfir foi bem e apresentou números superiores aos do Hikvision no FFXIV e no PCMark10, entretanto, ficou aquém no DiskBench, onde ele apresentou taxa de transferência de 190,093 MB/s, entretanto, é necessário destacar que esse foi o melhor resultado obtido e que houve variação entre as “runs” nesse teste em específico, no caso, o pior resultado foi de 121,284 MB/s enquanto outras rodadas ficaram entre 170 e 180 MB/s, o que é um indício de throttling ou o SO fazendo alguma coisa em background.

  • Benchmarks sintéticos:

Antes de apresentar os resultados nos benchmarks sintéticos, é necessário esclarecer que os fabricantes de SSD de forma geral costumam rotular as especificações de seus SSDs usando escrita/leitura sequencial como parâmetro, entretanto, mesmo que você trabalhe com arquivos grandes, toda vez que você abre uma aplicação, o SO também acessa diversas DLLs que são necessárias para o funcionamento desse programa, sendo que essas DLLs costumam ser pequenas em tamanho e correspondem a leituras/escritas aleatórias em arquivos de até 16 KB. Em outras palavras, se o seu uso para o PC for algo como navegar na internet, ouvir música ou mesmo jogar, deve-se prestar muita atenção nos resultados de leituras/escritas aleatórias até 16KB, pois essa é a operação que você mais utiliza e portanto, com maior impacto no “uso real”.

Caso alguém tenha interesse em verificar em tempo real essas operações, sugiro utilizar o software DiskMon, que é uma ferramenta gratuita disponibilizada pela Microsoft que monitora essas operações e permite a gravação de log para posterior análise dos dados. Também recomendo a leitura desse excelente artigo do pessoal do thessdreview, que aborda justamente essa questão.

A respeito dos benchmarks sintéticos, foram utilizados os seguintes softwares:

  1. Crystalmark 7.0.0 x64: Esse benchmark usa dados aleatórios, faz testes de leitura/escrita sequenciais e em blocos de até 4KB. Também é importante frisar que os resultados aqui apresentados não são de todo comparáveis com as versões anteriores do Crystalmark, o que exige cautela na hora de se fazer comparações.
  2. Anvil Storage Utilities: Esse software faz uma série de testes de leitura/escrita e retorna os resultados em termos do IOPS (operações de entrada/saída por segundo), tempo de resposta, MB lidos/escritos, MB/s e uma pontuação geral que pode para ser comparado com outros SSDs. Ele também permite ajustar o tipo de dado a ser utilizado, sendo que os resultados aqui utilizados se referem a configuração padrão do software (dados 100% incompressíveis e arquivo de testes de 1GB).

Nos benchmarks sintéticos, o Goldenfir ficou atrás do Hikvision, especialmente no que diz respeito as leituras/escritas aleatórias em arquivos de até 4 KB com profundidade de fila (Q) de 32 e 16 Threads no Crystalmark e na escrita no Anvil, o que curiosamente, não se refletiu nos “testes do mundo real”.

  • Temperatura:

Como o throttling da controladora do SSD costuma ser um problema recorrente em unidades M.2 NVMe quando submetidas a operações de escrita prolongadas, aproveitei para verificar a temperatura do Goldenfir enquanto o DiskBench fazia a cópia da pasta do GTA V, afinal de contas, trata-se de uma unidade sem dissipador, portanto, em tese mais suscetível a sofrer com esse efeito. A temperatura ambiente no momento do teste foi registrada usando o GM1312 com um termopar do tipo K e foi de 26,9 °C, entretanto, é importante lembrar foi usado o Wraith Prism no CPU e que ele pode ter contribuído positivamente para a temperatura do SSD, semelhante ao que foi verificado nesse outro artigo aqui na página.

Um detalhe a se observar é que por conta da SM2263XT usar um IHS metálico com superfície polida, portanto, de baixa emissividade, a FLIR One LT teve dificuldades em conseguir “medir” a temperatura desse componente, sendo que foi necessário colar um pedaço de fita isolante sobre o IHS para conseguir fazer essa leitura. Lembrando que esse SSD possui um sensor de temperatura cuja leitura pode ser observada usando o HWiNFO, entretanto, os valores reportados foram cerca de 10 °C abaixo dos apresentados nas termografias abaixo.

O Goldenfir apresentou temperatura máxima de 55,8 °C na controladora SM2263XT e 45,9 °C em uma das memórias NAND, o que é a princípio parece excelente e provavelmente não deve ser essa a causa da variação observada nos resultados do DiskBench, entretanto, futuramente pretendo re-visitar esse SSD para tentar esclarecer esse ponto.

  • Conclusão:

Diante dos testes e resultados apresentados, foi possível chegar nos seguintes pontos:

  1. O Goldenfir NVMe 256 GB apresentou números de desempenho bastante aceitáveis, especialmente se considerarmos que essa é uma unidade ‘DRAM-Less’, o que já era esperado por conta da controladora SM2263XT suportar HMB. Apesar desse SSD ter apresentado números um pouco abaixo daqueles do Hikvision E1000 nos benchmarks sintéticos, ele ficou a frente tanto no PCMark10 quanto no FFXIV, que são testes que simulam condições de uso real, entretanto, o resultado do DiskBench apresentou variações consideráveis entre diferentes rodadas e isso requer investigação futura, porém, ainda que ele tenha ficado aquém do E1000 nesse teste, o resultado apresentado também não foi propriamente ruim.
  2. Os componentes utilizados são de fabricantes conhecidos e comuns a diversos SSDs “de marca” disponíveis no mercado, o que se não elimina a possibilidade de falha prematura, que é algo que qualquer componente eletrônico está sujeito, ao menos tranquiliza muitas pessoas a respeito da qualidade de construção dessas unidades chinesas.
  3. Essa unidade apresentou pico de temperatura na controladora de 55,8 °C e 45,9 °C em um dos chips de memória NAND durante o teste do DiskBench, o que parece ser muito bom, porém, por conta das já citadas variações encontradas durante o DiskBench, serão necessários mais testes para ter a certeza que isso não foi ocasionado por conta das temperaturas, que é algo que parece improvável, porém, não está descartado.
  4. Em relação ao preço, nesse momento (27/07/2020) o Goldenfir NVMe 256 GB pode ser adquirido por US$32.31 (cerca de R$180, com frete grátis) na loja oficial do fabricante no Aliexpress, o que é um valor extremamente convidativo perante aos preços praticados no mercado nacional para SSDs de capacidade e especificação semelhantes, entretanto, apesar disso parecer um “negócio da China”, é necessário se atentar aos problemas que podem ocorrer na compra de produtos importados como esse: Possibilidade de a mercadoria ser taxada, demora na entrega e apesar do fabricante oferecer garantia de 3 anos, sabe-se lá como é esse procedimento com os possíveis custos com frete internacional, enfim, se esses “poréns” não representarem um problema muito grande para você, o Goldenfir NVMe 256GB certamente tem tudo para ser uma boa aquisição com excelente proposição de valor diante nos resultados apresentados.

E por hoje é só! Dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima!

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