Artigos SSDs e armazenamento

[Review] SSD NVMe Hikvision E2000 256 GB

Fala pessoal, tudo certo?

Nesse review irei analisar o SSD Hikvision E2000, que se trata de uma unidade NVMe com suporte a PCIe 3.0 X4 e formato M.2 2280.

Em relação à caixa, na parte da frente o fabricante optou por destacar o modelo do SSD, formato e ‘interface’ utilizada, enquanto na parte traseira, existem algumas informações sobre o fabricante e a garantia de 3 anos.  Vale destacar que não existe menção a números de desempenho na embalagem ou no produto e a capacidade do SSD só é mencionada em uma etiqueta onde também consta o modelo na parte de trás da caixa, o que provavelmente indica que os demais produtos dessa série devem compartilhar a mesma embalagem, de todo modo, a unidade analisada é de 256 GB e anunciada com leitura de 3000 MB/s e escrita de 1300 MB/s, ambas sequenciais.

Acompanham o produto um “dissipador”, thermalpads para instalação e uma chave philips.

Como disse anteriormente, esse é um SSD no padrão M.2 2280, onde esse número se refere ao tamanho do PCB sendo os dois primeiros dígitos referentes a largura (22 mm) e os dois últimos ao comprimento (80 mm) e no caso, o 2280 costuma ser o mais comum para SSDs M.2 NVMe. Ainda sobre esse “form factor”, cabe ressaltar que existem diversos dispositivos M.2 no mercado, por exemplo, módulos Wi-Fi ou mesmo SSDs SATA nesse padrão e que naturalmente, esses últimos são bem mais lentos que seus “primos” NVMe apesar de também serem M.2.

Já a respeito do padrão NVMe, trata-se de uma especificação de dispositivo que foi criado para permitir o acesso de dispositivos de armazenamento usando memórias não-volátil (aka SSDs) pela interface PCIe, o que naturalmente traz uma série de vantagens sobre os outros padrões pré-existentes como o SATA, que originalmente foi desenvolvido para uso com HD’s e por essa razão não exploram tudo que os SSD’s modernos podem oferecer. Das vantagens, é possível citar a maior largura de banda oferecido pelo barramento PCIe, o menor overhead de I/O e um recurso chamado HMB (Host Memory Buffer), que permite ao SSD alocar uma parte da memória RAM principal como buffer, possibilitando o desenvolvimento de unidades ‘DRAM-Less’ com desempenho mais consistente do que as unidades SATA ‘DRAM-Less’, que por conta das limitações dessa ‘interface’, não permitiam fazer essa “manobra” para extrair melhor desempenho desses SSDs. Caso alguém tenha interesse em se aprofundar no funcionamento disso, sugiro a leitura desse paper que explora as possibilidades para implementação do recurso e os respectivos ganhos de desempenho.

Sobre o SSD, é possível destacar a controladora, que é um chip que integra a ‘interface’ PCIe NVMe, um processador com número de cores que pode variar de acordo com o segmento do mercado na qual o produto é endereçado, SRAM, controlador de memória NAND Flash e também DDR4. Além disso, temos também chips NAND Flash e memória DDR4, algo que pode estar ausente nos SSD’s “DRAM Less”.

Falando especificamente do Hikvision E2000 256 GB, a controladora utilizada é a Phison PS5012-E12-27, que é fabricada em 28nm pela TSMC, integra um CPU dual core com ISA ARM, suporta até oito canais de memória Flash e a sua página no site do fabricante pode ser vista nesse link, enquanto os quatro chips de memória NAND são 3D TLC, possuem código NA59G64AOA, no qual não foi possível identificar o fabricante e são chips de 512 Gb (64GB) cada e por fim, a memória usada como DRAM Cache é a Hynix H5AN4G6NBJR e trata-se de um chip de 4Gb (512MB) conforme pode ser visto no site do fabricante.

Sobre o dissipador que acompanha o Hikvision E2000R, trata-se de um ‘item’ com proposta muito mais estética do que funcional, afinal de contas, a peça não possui aletas para dissipação de calor servindo apenas como uma espécie de “buffer”, aumentando o tempo necessário para a controladora do SSD atingir a temperatura de pico durante uso intenso. Sobre o processo de instalação, é bastante simples e consiste em remover o adesivo vermelho “CRIUS” que originalmente vem instalado no SSD, o que cabe destacar que não acarreta perda da garantia, colocar o thermalpad fornecido junto ao SSD e por fim, encaixar a chapinha metálica do “dissipador”.

  • Configuração utilizada:

MOBO: ASUS TUF X570-PLUS/BR (UEFI 2407)

RAM: 2x8GB Crucial Ballistix Sport LT 3200CL16

GPU: Galax GTX1650 Super (Obrigado Galax!)

PSU: Coolermaster 520W

COOLER: Wraith Prism

SSD: Hikvision E2000 256 GB (Obrigado Terabyteshop!)

Software: Windows 10 x64 2004, Anvil Storage Utilities V110, Crystalmark 7.0.0 x64, DiskBench, FFXIV Shadowbringers Benchmark, PCMark10

Objetivo dos testes: Aferir o desempenho do SSD em diversos benchmarks que simulam diferentes condições de uso. Para obtenção desses números, o SO está instalado em outra unidade enquanto que no SSD de teste foram instalados apenas o PCMark10, o FFXVI Benchmark e a cópia da pasta do GTA V.

Mais explicações acerca dos testes conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

Resultados:

Para melhor organização dos resultados, optei por separar os benchmarks em “Testes do mundo real” e “Benchmarks sintéticos”, onde os primeiros tendem a simular o uso normal do PC, ou seja, tempos de carregamento de aplicações, jogos e cópia de arquivos, enquanto o segundo grupo, que é o dos “Benchmarks sintéticos”, mostram números de desempenho em leitura/escrita/IOPS em algumas situações usando tipos de dados pré-definidos.

  • Testes do “mundo real”:

Foram feitos os seguintes testes:

  1. PCMark10: Uma “run” customizada apenas com o subteste “App Start-Up Score”, que basicamente mede o tempo de carregamento de uma série de aplicações de produtividade como OpenOffice, GIMP, Chromium e Firefox tanto para partida “fria”, que é a primeira vez que o aplicativo é aberto e uma segunda partida “quente”, que é após a “fria” e normalmente é mais rápida por conta do sistema já ter armazenado muita coisa em cache. Ao fim, ele retorna uma pontuação que pode ser usada para comparar diferentes SSDs.
  2. FINAL FANTASY XIV: Shadowbringers Benchmark: Esse teste inclui além dos resultados gráficos, os tempos de loading de cada cena, o que é interessante, pois essa ferramenta dispensa o uso de um cronômetro externo, que seria uma fonte de “imprecisão” nos resultados.
  3. DiskBench: Essa ferramenta permite mover um arquivo ou pasta de um lugar para o outro e salvar o tempo que levou para isso e a taxa de transferência média, no caso, visando simular uma situação de uso real fazendo backup da pasta de instalação de um jogo, foi escolhido o GTA V da Epic Games, que possui “apenas” 89 GB e foi copiada dentro da mesma unidade, em outras palavras, foi feito uma cópia do ‘G:\GTAV’ para o ‘G:\Diskbench’.
  • Benchmarks sintéticos:

Antes de apresentar os resultados nos benchmarks sintéticos, é necessário esclarecer que os fabricantes de SSD de forma geral costumam rotular as especificações de seus SSDs usando escrita/leitura sequencial como parâmetro, entretanto, mesmo que você trabalhe com arquivos grandes, toda vez que você abre uma aplicação, o SO também acessa diversas DLLs que são necessárias para o funcionamento desse programa, sendo que essas DLLs costumam ser pequenas em tamanho e correspondem a leituras/escritas aleatórias em arquivos de até 16 KB. Em outras palavras, se o seu uso para o PC for algo como navegar na internet, ouvir música ou mesmo jogar, deve-se prestar muita atenção nos resultados de leituras/escritas aleatórias até 16KB, pois essa é a operação que você mais utiliza e portanto, com maior impacto no “uso real”.

Caso alguém tenha interesse em verificar em tempo real essas operações, sugiro utilizar o software DiskMon, que é uma ferramenta gratuita disponibilizada pela Microsoft que monitora essas operações e permite a gravação de log para posterior análise dos dados. Também recomendo a leitura desse excelente artigo do pessoal do thessdreview, que aborda justamente essa questão.

A respeito dos benchmarks sintéticos, foram utilizados os seguintes softwares:

  1. Crystalmark 7.0.0 x64: Esse benchmark usa dados aleatórios, faz testes de leitura/escrita sequenciais e em blocos de até 4KB. Também é importante frisar que os resultados aqui apresentados não são de todo comparáveis com as versões anteriores do Crystalmark, o que exige cautela na hora de se fazer comparações.
  2. Anvil Storage Utilities: Esse software faz uma série de testes de leitura/escrita e retorna os resultados em termos do IOPS (operações de entrada/saída por segundo), tempo de resposta, MB lidos/escritos, MB/s e uma pontuação geral que pode para ser comparado com outros SSDs. Ele também permite ajustar o tipo de dado a ser utilizado, sendo que os resultados aqui utilizados se referem a configuração padrão do software (dados 100% incompressíveis e arquivo de testes de 1GB).

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