CPUs, Reviews, Ryzen

APUs Ryzen 5 2400G e Ryzen 3 2200G – Arquitetura, RAM Tweaking e Overclock

Fala galera, tudo jóia?

Para aqueles que acompanham a página do Facebook, não é novidade que recebi da AMD um kit de reviewer das novas APUs Ryzen e nesse primeiro artigo sobre esse kit, serão abordados detalhes referentes a arquitetura das APUs Raven Ridge tal como testes referentes a influência do clock/latência das memórias na performance da parte GPU e resultados com overclock extremo. Para os próximos artigos serão abordados questões acerca da refrigeração, delid e afins assim como reviews dos demais itens que vieram no kit. 🙂

Com relação ao kit em si, ele é composto dos seguintes itens:

  • 1x AMD Ryzen 5 2400G
  • 1x AMD Ryzen 3 2200G
  • 1x MSI B350I PRO AC
  • 1x 2x8GB G.Skill Flare X 3200 CL14 (chips B-Die, coisa linda de ver!!! :D)
  • 1x Pendrive AMD 4GB

Sobre o Raven Ridge, trata-se da oitava geração das APUs destinadas para uso em desktop sendo essa a primeira geração usando CPU da arquitetura Zen juntamente a uma GPU Vega. Esse chip é fabricado pela GlobalFoundries usando o mesmo processo 14nm+ que a AMD empregou nos GPUs Polaris 20 (RX580/RX570) só que diferentemente desses GPUs, optou-se pela variante do processo otimizada para maior densidade em detrimento de performance e esse “trade-off” foi feito visando manter o die (cerca de 210mm²) com um tamanho razoável em termos de yields e margens para o mercado na qual ele se destina, que é basicamente a linha de produtos Mainstream desktop, Mobile e embarcados da AMD.

Antes que alguém possa interpretar negativamente essa questão do “trade-off”, saibam que esse tipo de decisão é bastante comum durante o desenvolvimento de qualquer produto e que nesse caso em especifico foi uma das raras situações em que todo mundo ganha pois como mostrarei adiante, o clock stock dessas APUs é um tanto mais alto que o dos CPUs Ryzen AM4 que elas substituem, o que implica que não houveram perdas por conta dessa decisão.

Com relação a parte CPU, foi dito anteriormente que essas APUs são as primeiras usando a arquitetura Zen e que a princípio os cores são “organizados” da mesma forma que no Summit Ridge, em um bloco com quatro cores + L3 que é chamado de CCX. Isso juntamente do chamado “Infinity Fabric” foram concebidos com o propósito de manter a arquitetura o mais modular possível, visando reduzir o TTM (time to market) e com isso os custos de R&D no desenvolvimento de novos produtos.

Para o Raven Ridge, a AMD optou por reduzir o cache L3 da CCX de 8MB (Summit Ridge) para apenas 4MB, novamente um compromisso para manter o die o mais enxuto possível, no entanto, eles também reduziram a latência de acesso de todos os três níveis de cache, o que de certa forma deve compensar o L3 menor, especialmente em workloads que tendem a ser mais sensíveis a latência, como por exemplo em jogos.

Ainda sobre o CPU, foram implementadas uma série de melhorias nas tecnologias que englobam aquilo que a AMD chama de “SenseMI Technology”, que basicamente se refere ao Precision Boost (determina o funcionamento do turbo), Pure Power (otimiza o consumo de energia usando os muitos sensores integrados no die e telemetria), XFR (aquele “overboost” para 1T quando existe margem térmica), Neural Net Prediction (rede neural para realizar operações de branch prediction) e o Smart Prefetch (algoritmos para otimizar prefetch).

Dessas cinco tecnologias, o Precision Boost foi o que sofreu maiores alterações no seu funcionamento sendo que ele ganhou até mesmo um ‘2’ depois do nome tamanha foi a evolução no algoritmo em relação a aquele do Summit Ridge! 🙂

Sendo mais especifico, no Precision Boost do Summit Ridge, o CPU apenas atinge o clock de turbo em workloads que façam uso de apenas duas threads, despencando para o clock base com 3T+ independente da condição de carga dessas threads, temperatura e corrente. Evidentemente que isso representa performance perdida em aplicações que não fazem uso de todas threads disponíveis (Exemplo? A maioria dos jogos) e é justamente nesse ponto que a AMD trabalhou no Precision Boost 2, visando melhorar a performance do CPU ao longo de toda a curva de uso das threads, conforme o gráfico abaixo.

Abrindo um parênteses aqui, algo que assusta muita gente é que por muitas vezes o CPU joga o VID lá na casa dos 1.55V enquanto ele está operando na frequência de boost e especialmente no XFR, bom, isso é normal e não deve causar nenhum dano para o CPU pois o mesmo só entra nesse estado se houver margem térmica e em workloads que usam apenas 1T. Isso significa que está tudo bem usar um octa-core com uma tensão dessa diariamente para todos os threads com refrigeração ambiente? Não, pois o que realmente degrada o silício são altas correntes, temperaturas elevadas e a margem para ambas as variáveis é menor quando estamos falando de todos os cores disponíveis e usando esse ajuste simultaneamente. 😉

Agora com relação a parte GPU, a AMD optou por integrar o IGP da arquitetura Vega, que trata-se da ultima iteração da arquitetura GCN e em relação a geração anterior (Polaris) talvez a mudança mais significativa que a arquitetura sofreu foi o redesign visando atingir clock de operação maiores, que no caso estamos falando de algo na casa dos 1600MHz. O Raven Ridge integra ao todo 11 NCU’s, 16 ROPs e 32 TMUs, podendo variar conforme o SKU com unidades desabilitadas por motivos de mercado/die harvesting.

Sobre o mencionado redesign, uma das coisas que a AMD fez foi retrabalhar o floorplan de diversas partes da GPU, em outras palavras, basicamente mudaram a forma na qual os blocos funcionais estão distribuídos no die com o objetivo de diminuir o comprimento dos fios usados devido ao fato dos mesmos “adicionarem” um delay (na casa dos pico segundos) no sinal sendo que este é algo em função da resistência/capacitância desses fios, o que pode ser um problema para designs com requerimentos de timings mais agressivos, leia-se, que devem trabalhar com clocks elevados. Caso alguém venha a se interessar mais a fundo por esse assunto, esse slide do MIT datado de 2005  é um bom começo.

Outras medidas tomadas pela AMD foram o aumento do pipeline em algumas áreas do chip em que a latência extra resultante poderia ser tratada como desprezível (exemplo: onde já leva centenas de ciclos de clock para realizar uma tarefa, adicionar mais dois ciclos não faria lá muita diferença), uso de células SRAM de alta performance que foram emprestadas do Zen e adaptadas para uso no GPU e otimização dos caminhos críticos (performance-critical paths) para aumentar a tolerância dos mesmos a altas frequências, pois de nada adianta 99% do seu design ser capaz de operar a 1.6GHz e esse 1% não passar de 1.3GHz funcionando corretamente, no final das contas você ficaria limitado a 1.3GHz. 🙂

Do ponto de vista da arquitetura, a AMD também incluiu suporte a Rapid Packed Math (RPM), que permitem a NCU executar duas operações INT/FP de 16-bit ou uma de 32-bit sendo isso especialmente útil para operações de Machine Learning e também uma série de features relacionadas ao processamento de geometria, entretanto, não pretendo explorar esses pormenores nesse artigo até porque o que trouxe o maior ganho de performance na arquitetura Vega foi pura e simplesmente a capacidade do GPU operar com clock mais elevado, o que pode ser visto mais claramente em testes comparativos como esse do Gamers Nexus entre uma Fury X e uma Vega FE no mesmo clock.

No que diz respeito ao produto em si, ao contrário dos Ryzen “Summit Ridge” essas APUs não possuem IHS soldado, o que pode ser motivo de preocupação para alguns por conta da temperatura de operação naturalmente maior, entretanto, o tjunction aumentou para 100ºC e pelo que pude apurar, mesmo com o CPU sob estresse (rodando Cinebench R15) usando o cooler box ele não excedeu os 80ºC. Essa decisão é mais um daqueles “trade-offs” discutidos anteriormente e foi feito assim devido ao processo de solda ser caro do ponto de vista dos materiais (leia-se: solda de Índio e necessidade de “banhar” a ouro o IHS para a solda aderir) e das etapas extras no processo de fabricação.

Devido a complexidade desse tema, irei abordar melhor isso em um artigo a parte, mas apenas adiantando, não precisam se preocupar com relação aos futuros Ryzen sem GPU integrado pois pelo menos por um futuro próximo eles devem continuar vindo com o IHS soldado, pois ao contrário das APUs, esses SKUs possuem TDP maior (95W+) e são orientados para usuários entusiastas ou que buscam alto desempenho em aplicações multithread.

A princípio a AMD preparou dois SKUs do Raven Ridge compatíveis com a plataforma AM4, o Ryzen 5 2400G e o Ryzen 3 2200G sendo que o primeiro é um quad-core com SMT e 11 NCU’s e o segundo é um quad-core sem SMT e 8 NCU’s.

Essas APUs foram posicionadas de forma que o  Ryzen 5 2400G substitui o Ryzen 5 1400 e o Ryzen 3 2200G entra no lugar do Ryzen 3 1200, com a vantagem do maior clock de operação dessas APUs sendo 3.6GHz/3.9GHz vs 3.2GHz/3.4GHz no primeiro e 3.5GHz/3.7GHz vs 3.1GHz/3.4GHz no segundo, de ter o vídeo integrado diminuindo o custo total do sistema e tudo isso pelo mesmo preço sugerido de $169 para o 2400G e $99 para o 2200G!

Antes de partir para a configuração utilizada e os resultados subsequentes é necessário fazer dois pequenos avisos, primeiramente devo avisar que apesar dessas APUs serem compatíveis com toda e qualquer placa-mãe AM4, é necessário ficar ligado com duas coisas:

  • O fato de que algumas placas não possuem saída de vídeo, o que inutilizaria o GPU integrado.
  • É necessário atualizar a bios da placa-mãe para que a APU funcione, então se por algum acaso você comprar uma placa, vier um exemplar de estoque mais antigo e com uma bios com AGESA anterior ao 1.0.7.2, muito provavelmente não irá funcionar e será necessário atualizar a bios!

O outro aviso é sobre um problema na qual outros reviewers brasileiros esbarraram e que também acabei verificando e reproduzindo aqui. Bom, a questão é que aleatoriamente ocorrem quedas de clock no CPU/GPU para 1.6GHz/400MHz enquanto em 3D causando uma queda de FPS considerável no momento, comprometendo severamente o frametime e muito provavelmente levando o usuário a disparar impropérios direcionados a sabe-se lá quem a cada vez que isso acontece… No meu caso, isso ocorreu apenas com o 2400G, usando tanto a placa-mãe da MSI que acompanha o kit quanto a ASUS Prime B350-PLUS e foi resolvido com uma atualização de bios para a MSI, fornecida pela AMD não muito tempo após o bug ter sido reportado.

Isso ocorre apenas com a APU em stock e existe um “workaround” que consiste em setar as frequências do CPU e GPU manualmente, o grande problema disso é que se você setar apenas o clock do GPU manualmente e deixar o CPU em auto, o “OC-Mode” se comporta de maneira errática e aumenta a tensão do CPU (VDDCR) automaticamente para cerca de 1.55V em todos os cores, o que pode comprometer a vida útil do processador. Outro problema é que usuários de placas A320 não tem como realizar esse ajuste, então caso encontre esse problema, a única alternativa é esperar por um update de bios que resolva a situação.

Da minha parte usei o Unigine Heaven DX11 e o GPU-Z 2.8.0 (nota importante: versões do GPU-Z anteriores a essa causam BSOD instantaneamente com as APUs) para gravar um log e reportar o problema, todavia, outros reviewers como o Robson do LockGamer e o Lucas Peperaio gravaram vídeos mostrando isso durante o gameplay o que pode ser visto claramente nesse vídeo gravado pelo Robson. Lembrando mais uma vez que a AMD está ciente do problema, que essa questão foi resolvida com um update de bios e espero que em breve todas as placas tenham versões corrigidas. 😉

EDIT 8/6/2018 – 21:49: O problema das quedas de clock foi resolvido definitivamente, ver o link abaixo para mais informações:

https://theoverclockingpage.wordpress.com/2018/04/25/apus-raven-ridge-e-agesa-1002a-adios-para-as-quedas-de-clock/

Vamos a configuração utilizada e aos resultados!

CPU: AMD Ryzen 5 2400G e AMD Ryzen 3 2200G (obrigado AMD!)

MOBO: MSI B350I PRO AC (obrigado AMD!)

RAM: 2x8GB G.Skill Flare X 3200 CL14 B-Die (obrigado AMD!)

STORAGE: Samsung HD322HJ (320GB, 7200rpm)

COOLER: Cooler stock / Watercooler custom / SF3D Inflection Point

SO: Windows 10 x64

Objetivo dos testes: Conforme dito anteriormente, o foco desse primeiro artigo é verificar como a performance 3D das APUs escalam com o clock de memória, otimização dos subtimings e também verificar como as mesmas se comportam quando submetidas a overclock “pesado” em temperatura ambiente e extremo. Explicações acerca da metodologia adotada ou de como os testes foram conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

Resultados:

Antes de prosseguir aos resultados, cabe uma breve explicação sobre os timings de memória e a diferença que isso pode fazer na performance final. Bom, antes de tudo, o que são esses tais timings de memória que tanto falam, especialmente depois do lançamento do Ryzen?

Basicamente esses timings são medidas de tempo para delays (atrasos) relativos a algum processo que está ocorrendo no chip de memória, então cada uma dessas “sopas de letrinhas” (exemplo: tRDRDSCL, tWRWRSCL, tRCD, tCL…) que você encontra ai na bios da sua placa-mãe se refere a uma “operação” diferente que está acontecendo ali, sendo que muitos desses timings se referem a processos análogos só que um relativo a escrita (WR = write) e outro a leitura (RD = read) por exemplo.

A maioria esmagadora das placas-mãe fornecem os ajustes em função do número de “ciclos de clock”, no entanto, o período do delay (em ns, nano segundos) pode ser calculado usando aquela formula do período do ensino médio (T = 1/f, sendo T o período em segundos e o f a frequência em hertz) bastando multiplicar o resultado encontrado pelo número de ciclos de clock, o que explica o porque em muitas situações pode não valer a pena relaxar muito os timings para obter clocks mais elevados, simplesmente você vai terminar com um delay maior no final das contas e possíveis instabilidades em outros domínios. 😉

Naturalmente, esses parâmetros apresentam relações entre si e que se obedecidos podem resultar em maior estabilidade de operação e performance, no entanto, diferentes chips de memória respondem de forma distinta a certos ajustes e ai que está a raiz de todo aquele problema de instabilidade ou incapacidade de operar nos clocks de fabrica usando memórias com chips Hynix/Micron que ocorreu logo no lançamento do Ryzen. Naqueles tempos, os ajustes de subtimings não estavam liberados para ajuste manual então os mesmos eram predeterminados de forma “tabelada” pelo AGESA para cada multiplicador de frequência de memória e a referência era justamente as memórias com chip Samsung B-Die, que são capazes de operar com timings bem mais agressivos que os outros chips disponíveis. Felizmente isso são “águas passadas” e hoje temos excelentes ferramentas disponíveis para facilitar nossa vida nesse respeito, basicamente são duas, o Ryzen Timing Checker do The Stilt, que serve para ler a configuração dos timings no SO e o Ryzen Dram Calculator do 1usmus, que calcula todas possíveis configurações de timings de acordo com as informações encontradas no XMP da memória. Uma boa notícia é que tudo que foi explicado aqui também vale para o “Summit Ridge”, incluindo esses softwares. 🙂

Para obter os resultados que compõe os gráficos abaixo, usei o 3DMark Fire Strike em sua versão mais atual, logo após o término no benchmark 3D rodei o benchmark de memória do AIDA e para fins de não perder nenhuma informação e comprometer a validade dos testes, também abri o RTC, GPU-Z e CPU-Z, ficando mais ou menos assim o screenshot relativo a esses testes:

O objetivo ai é tentar ver de forma mais clara a relação entre a banda de memória prática e a performance do GPU visando chegar em um “sweet spot” para o clock das primeiras, algo válido em tempos que memória custa mais caro do que ouro… Todos os testes foram realizados com a APU em stock, com os parâmetros relacionados a clock em AUTO, VRAM fixada em 512MB (padrão da bios 112.PT6), variando apenas os ajustes relativos a memória. Rodei duas baterias de testes visando “simular” usuários com perfis diferentes sendo que em uma apenas ativei o XMP, fui subindo o clock da memória/tensões, deixei toda parte do ajuste dos subtimings em AUTO e no outro usei o mesmo ajuste que pode ser visto no screenshot acima, setando tudo manualmente. Não foi possível ir além dos 3466MHz nas memórias usando os ajustes automáticos e ao contrário do que muita gente pensa, o perfil XMP trás gravado apenas aqueles timings que você precisa preencher na Ryzen DRAM Calculator, o que implica que todo o resto está por conta da placa-mãe.

No gráfico abaixo fiz uma compilação dos resultados obtidos no AIDA64, esses resultados são os do R5 2400G sendo que os do R3 2200G foram suficientemente próximos e pelo que pude apurar via RTC, a placa-mãe aplicou os mesmos ajustes automáticos para os timings em ambos processadores. Pode-se verificar a diferença considerável que a otimização dos subtimings fizeram aqui, sendo que 3200 CL14 com timings otimizados ficou a frente de 3466 AUTO, perdendo apenas na escrita!

Mas como será que isso reflete na performance do GPU? Abaixo compilei gráficos e tabelas com os resultados obtidos no Fire Strike e para facilitar a leitura dos primeiros, optei por usar uma escala percentual. O “100%” para todos esses gráficos é @DDR4-2800 e decidi por esse ponto pois houve ali uma queda na performance em relação a 2666 com os ajustes automáticos o que pode ser explicado pelos subtimings automáticos, em especial pelo Command Rate que a placa joga de 1T para 2T @ 2800MHz, os tRDRDSCL e tWRWRSCL que vão de 4 para 7 (!!!) e acabam destruindo a performance. Em menor grau esse tipo de “anomalia” também foi observado na transição dos 3200 para 3333 nessa mesma condição de ajuste automático.

Com ajuste manual, comecei nos 2800 devido ao fato de que abaixo disso teria que apertar consideravelmente os ajustes para obter ganhos, definitivamente uma memória “low-end” não conseguiria acompanhar a B-Die nessas condições, seria inútil fazer tal teste por conta da maioria dos kits B-Die começarem nos 3200MHz e por fim, comecei nos 2800MHz para que os dois gráficos ficassem com o “100%” na mesma frequência.

Ryzen 5 2400G:

Ryzen 3 2200G:

O que é possível concluir por esses testes é que ambas as APUs apresentam ganhos com a banda de memória extra e que o “sweet spot” delas fica mesmo ali na casa dos 3200MHz apresentando bons ganhos de performance realizando o ajuste fino dos timings, no entanto, veremos mais adiante que na hora em que o overclock na GPU entra na jogada, a Vega 11 se torna gradativamente mais limitada do que a Vega 8 no que diz respeito a banda de memória ao ponto de praticamente não apresentar mais ganhos com o overclock, efeito semelhante a aquele encontrado em GPUs low-end (Exemplo: GT710, HD6450), o que também implica que fazer overclock na GPU enquanto que usando memórias lentas ou single channel é algo completamente inútil.

Com relação aos testes de overclock em temperatura ambiente e usando watercooler, obtive esses resultados:

Ryzen 5 2400G: Máximo estável para rodar Cinebench R15 foi @ 3975MHz 1.52V, sendo que foi impossível de completar o benchmark @ 4GHz mesmo usando 1.55V. Do ponto de vista do GPU, o máximo que consegui completar o Fire Strike foi @ 1675MHz 1.32V, com RAM @ 3600 14-14-14-28 1T e devo destacar que essa configuração não é de forma alguma estável, travando em benchmarks que “cospem” FPS (exemplo: 3DMark03) sendo necessário abaixar o clock da RAM para 3533 e do GPU @ 1600MHz nessas situações.

Uma dica que deixo é que desabilitar o SMT me rendeu cerca de 1500 pontos a mais no resultado final do 3DMark03, então se forem rodar esses benchmarks “vintage” no Ryzen, saibam que desabilitar o SMT pode trazer ganhos interessantes! 🙂

Ryzen 3 2200G: Máximo estável para rodar Cinebench R15 foi @ 4150MHz 1.55V, o que é excelente para o Ryzen usando refrigeração ambiente. Do ponto de vista do GPU, o máximo que consegui completar o Fire Strike foi @ 1725MHz 1.275V, com RAM @ 3600 14-14-14-28 1T e estabilidade muito maior do que a encontrada usando o 2400G, sendo necessário apenas abaixar para 1700MHz no GPU para completar o 3DMark03.

Como pode-se concluir por esses resultados, tenho em minhas mãos um excelente exemplar de R3 2200G e um R5 2400G medíocre, o que implica que receber as amostras de review da AMD não é automaticamente garantia de CPUs gold ou coisa do tipo, na realidade e como pode ser visto nas fotos do início do artigo, os CPUs vieram lacrados em uma embalagem idêntica tanto em aparência quanto em conteúdo à aquela que você pode encontrar no mercado, em resumo, Silicon Lottery bro! 😉

Com relação ao OC nas memórias, a “barreira” de estabilidade continua no mesmo patamar do Summit Ridge, ali na casa dos 3533MHz com os melhores exemplares estabilizando 3600MHz para uso diário e isso considerando o uso de uma mobo capaz de atingir essa frequência. A vantagem mesmo fica por conta do processo de “Memory Training” do Raven, que é bem mais rápido e confiável que no Summit, então a chance de você conseguir subir o sistema com um clock mais alto é maior.

Vamos ao OC Extremo então! Placa-mãe foi isolada com borracha e papel toalha, o que é algo bem fácil de se fazer em uma placa ITX com bom layout como é o caso dessa MSI B350I PRO AC e para cada sessão usei 1.5kg de gelo seco, o que foi suficiente para rodar benchmarks por toda tarde.

Sobre a mobo, devo abordar a mesma com mais detalhes em um review a parte, no entanto, existe uma limitação nos ajustes de tensão de 1.4V para o vcore via bios e 1.55V via Ryzen Master, o que é um fator limitante para OC Extremo e uma pena, pois essa plaquinha é extremamente robusta do ponto de vista da qualidade de construção e suportaria facilmente um octa-core no LN2… Mas não vamos perder as esperanças da MSI soltar uma bios ou software que permitam um ajuste com limite maior né? 🙂

Ryzen 5 2400G:

Para essa APU, foi possível validar clock máximo @ 4524.32MHz com 1.55V e rodar os demais benchmarks @ 4425MHz, o que considero um bom resultado para um CPU incapaz de completar qualquer coisa um pouco mais pesada @ 4GHz na água.
Acabei sendo forçado a focar no 2D devido ao GPU não escalar com o clock extra em relação aos resultados obtidos na água devido a limitação da banda de memória, conforme pode ser visto pelo resultado no Fire Strike que foi marginalmente superior ao score obtido na água apenas por conta do maior clock do CPU sendo que os +125MHz no GPU fizeram zero diferença.

O comportamento do controlador de memória foi bom, não apresentando nenhuma queda de performance por conta da temperatura igual ocorre com o Summit Ridge, infelizmente também não houveram ganhos de clock nas memórias, esbarrando exatamente no mesmo limite encontrado com refrigeração a água.

Validação: https://valid.x86.fr/dv37ub

Ryzen 3 2200G:

Para essa APU, foi possível validar clock máximo @ 4625.49MHz com 1.55V e rodar os demais benchmarks @ 4525MHz, exatamente 100MHz a mais que o 2400G nas mesmas condições e diferente desse ultimo, o 2200G brilhou no 3D e escalou muito bem com o clock extra no GPU, o que é um indício de que a Vega 8 é mais adequada a banda disponível sofrendo bem menos com esse gargalo.

O comportamento do controlador de memória foi bom, não apresentando nenhuma queda de performance por conta da temperatura igual ocorre com o Summit Ridge e aparentemente houve ainda um pequeno ganho de performance, sendo possível completar o Fire Strike com a RAM @ 3666 14-14-14-28 algo que não foi possível de se fazer com refrigeração a água!

Validação: https://valid.x86.fr/uka1fd

Conclusão:

Nesse cenário de OC Extremo, o Ryzen 3 2200G ofereceu uma experiência bem mais agradável do que o Ryzen 5 2400G pelo simples fato do iGPU não ficar drasticamente limitado pela banda de memória, o que faz uma diferença considerável no fator “diversão”. Com relação ao comportamento do controlador de memória, a AMD retrabalhou o mesmo, solucionou o “problema” de degradação de performance com temperaturas negativas e ainda por cima conseguiu deixar expectativas positivas para o Pinnacle Ridge, afinal de contas, essa limitação que era o maior entrave para se utilizar os Ryzen em benchmarks 3D a nível competitivo foi resolvida já nas APUs e muito provavelmente nesses CPUs futuros. 🙂

Para quem pretende montar um combo desses, se possível pegue memórias DDR4-2933 sendo recomendado DDR4-3200 de forma a minimizar o gargalo da banda de memória para o iGPU, também é recomendado investir um tempo brincando com os subtimings pois é de grande beneficio para a performance, conforme mostrei nos testes.

Do ponto de vista de arquitetura, a AMD finalmente eliminou a maior deficiência das APUs que era a falta de uma “parte” CPU competitiva e com isso temos agora uma excelente opção disponível para o mercado “mainstream”, com preços na casa dos R$500 para o Ryzen 3 2200G e R$750 para o Ryzen 5 2400G, basicamente na mesma faixa de preço dos CPUs Ryzen que elas substituem só que com a vantagem de possuir o GPU integrado, clock stock maior e por ai vai.

Então é isso pessoal, para o próximo artigo devo abordar questões relativas a refrigeração, delid e review da MSI B350I PRO AC. Comentários com dúvidas, criticas e sugestões são bem-vindos! Até a próxima!

2 comentários em “APUs Ryzen 5 2400G e Ryzen 3 2200G – Arquitetura, RAM Tweaking e Overclock”

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