HD4850 + EPOWER V, Projetos

Radeon HD4850 – Modificações, overclock e resultados – Parte II

Fala pessoal, beleza?

Finalmente dando continuidade a saga da HD4850, que começou nesse post, onde apresentei a placa e detalhei as modificações que fiz na mesma ainda usando o VRM padrão e refrigeração a água. Para essa segunda parte, irei lhes apresentar a nova powerboard da casa, detalhar o processo de preparação da placa e discutir os resultados obtidos usando refrigeração extrema, sendo assim, vamos ao que interessa!

Sobre a powerboard, esse tipo de “brincadeira” não é algo novo por aqui sendo que um dos motivos que me fez começar essa página foi justamente o projeto desses utilizando um VRM de 3 fases retirado de um antigo servidor da IBM, cuja saga pode ser acompanhada aqui. Considero que esse primeiro projeto foi um sucesso, entretanto, trata-se de um design antigo com muitas limitações e que tende a ser inadequado para aplicação em qualquer CPU/GPU relativamente moderno. E é ai que entra a “nova powerboard da casa”, a EVGA EPOWER V e que no presente momento, trata-se do único produto do tipo que está disponível para venda.

Como o próprio nome sugere, o exemplar da galeria acima trata-se de um EPOWER de 5ª geração e que foi projetado pelo Ilya Tsemenko (também conhecido por TiN) que juntamente ao Vince Lucido (KINGPIN) estão por trás de todos produtos EVGA relativamente recentes voltados ao público entusiasta ou overclocker, como as lendárias VGAs da série “KINGPIN” e as placas-mãe “DARK”. Recomendo a todos que assistam esse vídeo do Gamers Nexus, onde o Steve fez um tour pelo laboratório da EVGA onde eles trabalham e ainda por cima trocou uma ideia com os caras! 🙂

O EPOWER V é uma powerboard que trás em apenas um único PCB um VRM de 12+2 fases, generosos “espaços” para solda dos condutores que vão ligar a powerboard a “vitima” e displays 7-segmentos com botões para fazer o ajuste das tensões de saída sem depender de dispositivos externos, porém, ainda sim, oferecendo conectividade para dispositivos como o EVBOT, o que implica que para comportar tudo isso, o PCB dele é algo robusto e suas dimensões chegam a exceder aquelas da Gainward GTX1660 TI que testei recentemente, o que inspira cuidados na hora da instalação para que o mesmo não fique obstruído por dissipadores ou outros componentes na placa-mãe.

Ainda sobre essa placa, ela possui 3 conectores de força de 6-pinos, faz uso de um dissipador vermelho com muitas aletas que deve ser acompanhado de um fan caso a ideia seja montar o EPOWER V em uma carga “mais pesada” (exemplo: uma GTX580, que pode passar dos 1000W sozinha (!!!) quando submetida a condições de overclock extremo). Outro ponto que devo destacar são essas “partes” douradas no pcb que são as “trilhas” expostas onde os condutores devem ser soldados, sendo que está escrito na própria placa o que é cada uma dessas camadas, facilitando na hora da instalação e tornando todo o processo menos suscetível a erros.

No que diz respeito aos aspectos técnicos do EPOWER V, a EVGA optou por utilizar o controlador PWM IR3595A operando no modo de 6+1 fases usando CIs dobradores de fase (IR3599) para chegar nas 12+2 fases. No estágio de alimentação, foram empregadas as powerstages IR3579M, que são capazes de entregar uma corrente máxima de até 60A e possuem encapsulamento com uma parte metálica exposta visando melhorar a dissipação de calor do componente.

Um adendo importante é que essa corrente máxima que costumo citar nos artigos na realidade trata-se do máximo possível nas condições dadas pelo datasheet do componente, sendo que no “mundo real”, esse limite costuma ser inferior geralmente por conta de limitações térmicas ou do próprio design, de todo modo, a EVGA garante que o EPOWER V é capaz de suportar uma corrente de mais de 620A com tensão de operação entre 1.6V~1.8V nas 12 fases planejadas para alimentação do GPU e até 90A com 2.3V nas 2 fases dedicadas as memórias, evidentemente que usando refrigeração ativa nessas condições.

De todo modo, essa foi apenas uma pequena introdução ao EPOWER V e caso tenham interesse em se aprofundar mais, recomendo a leitura do guia escrito pelo próprio TiN que trás todos detalhes possíveis e imagináveis sobre esse produto além daqueles que já lhes mostrei aqui. 🙂

Sobre o processo de instalação do EPOWER V, é importante realizar todas alterações que forem necessárias de serem feitas na “vitima” antes da instalação da powerboard pois devido as dimensões robustas apresentados pela mesma, boa parte do PCB da VGA tende a ficar inacessível, sendo assim, apenas mantive o voltmod das memórias que já havia feito para o artigo anterior e também tratei de isolar a placa usando plastidip, algo semelhante ao que fiz para isolar essa HD6870.

No caso da HD4850, o procedimento é o de praxe para esse tipo de modificação, ou seja, remover os indutores da saída e soldar a powerboard na mesma usando condutores (fios ou folha de cobre) com o menor comprimento e maior largura/diâmetro (maior área de seção transversal) possíveis, no intuito de tornar a queda de tensão entre a Powerboard-VGA a menor possível pois tenham em mente que o fio apresenta uma certa resistência por unidade de comprimento e que por mais que esse não seja um valor alto, pode ser um problema significativo dependendo da intensidade da corrente que está circulando ali e é por isso que essa recomendação se faz necessária. Para instalação na HD4850, usei fios de cobre flexíveis de 4mm², desses que costumam ser utilizados para instalação de chuveiros, que podem ser encontrados em lojas de materiais de construção e procurei manter o comprimento dos mesmos o menor possível nos retalhos que usei no VCC.

Fonte da imagem original: https://www.techpowerup.com/reviews/Powercolor/HD_4850/3.html

Apenas lembrando que ao contrário do que acontece em VGAs mais recentes como Maxwell e Pascal, na HD4850 e na maioria dessas placas antigas, não existe nenhum pino “PWR_GOOD” ou similar fazendo a “comunicação” entre o GPU e o controlador PWM, portanto, não existe aqui a preocupação de ficar cortando trilhas ou removendo mais componentes para driblar essas proteções.

Na galeria abaixo, é possível ver como a placa ficou após a instalação do EPOWER, sendo que posteriormente precisei refazer o procedimento pois inicialmente usei uma placa-mãe ITX para os testes e nem havia me ligado que poderia ter problemas para instalar essa “joça” em uma mobo mATX… Entenderam o porque enfatizei tanto a necessidade de tomar cuidado com isso antes de instalar o EPOWER? 😉

E por fim, como ficou o “produto final” com o TEK-9 FAT já montado e sim, antes que alguém pergunte, essa “coisa” verde ai no pot é uma meia e ela cumpre muito bem a sua tarefa no isolamento do pot! 😀

Vamos então aos resultados! 😀

Configuração utilizada:

CPU: Intel Core i3 6100

MOBO: ASRock Z170M OC Formula

RAM: 2x8GB GSkill Flare X 3200 CL14

GPU: AMD Radeon HD4850 + EPower V

PSU: Antec Quattro 1200W

POT VGA: Kingpin TEK-9 FAT + 1.5Kg de gelo seco

WATER COOLER VGA: Magicool MC-RAD360G2, Bomba+Res integrados (500l/h) e Swiftech MCW82

SSD: Crucial BX300 120GB

Objetivo dos testes: Extrair o máximo de desempenho da Radeon HD4850 visando obter resultados competitivos no ranking do HWBOT e de quebra mostrar o máximo que é possível tirar da placa usando a EVGA EPOWER V + refrigeração extrema. Explicações acerca de como os testes foram conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

Resultados:

O primeiro teste da HD4850 com o seu novo VRM naturalmente foi usando refrigeração a água, afinal de contas, antes de partir para a violência era necessário checar se a vitima havia sobrevivido ao procedimento cirúrgico e caso afirmativo, se houveram ganhos na frequência do GPU enquanto que usando refrigeração ambiente. Sabendo disso, também aproveitei para preparar a plataforma de testes definitiva para essa placa pois até então estava testando tudo usando o i7 4770K e como esses benchmarks antigos (3dmark01,03,05) não escalam com os cores extras, tratei de mudar para o i3 6100, que além do IPC maior que o do Haswell ainda é capaz de rodar com frequências mais elevadas (5.1~5.15GHz vs 4.9GHz).

No que diz respeito a VGA, não houveram ganhos de frequência por ter trocado o VRM padrão pelo EPOWER sendo que a única vantagem apresentada é que agora a placa não desarma durante o 3dmark03 com mais de 1.475V igual acontecia anteriormente, uma boa notícia para uso extremo! 🙂

Abaixo o melhor resultado que obtive no 3DMark01, que é um benchmark extremamente dependente de performance single thread. Apenas para constar, o melhor resultado que consegui obter ai usando o 4770K @ 4.9GHz foi de 114542 marks, portanto, houve um ganho de mais de 5000 pontos usando o i3 6100.

Agora no gelo, o foco desse primeiro teste foi descobrir os limites dessa HD4850 usando esse tipo de refrigeração, portanto, nesse primeiro momento congelei apenas o GPU e mantive o CPU rodando na água @ 5125MHz. Dessa forma consegui completar uma run do 3dmark03 com o GPU rodando @ 1035MHz 1.625V aplicados no EPOWER (1.575V em load) e DRAM @ 1245MHz 2.25V, um ganho de 110MHz no GPU e apenas 5MHz na memória, que apesar de completar os benchmarks com clocks um pouco maiores, os resultados pioram drasticamente.

Esses ajustes me renderam a pontuação de 71851 pontos no 3dmark03 e de 39398 pontos no 3dmark05, perfazendo um total de  48.3 hwpoints no HWBOT, nada mal se me perguntarem o que acho! 🙂

Segue também a tradicional galeria de fotos do hardware todo congelado, algo que não pode faltar em um teste de OC Extremo, ainda mais de um “Frankenstein” desses!

E por fim, eis a versão atualizada da tabela com a qual encerrei o primeiro artigo sobre essa placa, agora com o resultado obtido usando o EPOWER e gelo seco na refrigeração da placa.

Conclusão:

A HD4850 se comportou bem ao ser submetida a esses esforços extremos, seja do ponto de vista das modificações feitas na placa quanto da refrigeração e ainda que o meu exemplar seja algo bem “normalzão”, nada “binado” ou “gold”, ainda sim foi possível obter resultados interessantes para o ranking do HWBOT e com margem para melhorar muito, bastando para isso usar LN2 para refrigerar tanto o CPU quanto o GPU, algo que pretendo testar em um futuro não muito distante.

Em relação ao EPOWER V, ainda que o mesmo tenha público restrito apenas aos espécimes mais insanos dentre os overclockers, trata-se de um item de hardware simplesmente fenomenal e que recomendo de olhos fechados a todos que queiram se aventurar para esses lados mais “hardcore” da nossa atividade favorita. 🙂

E por enquanto é só pessoal, comentários, dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindos! Até a próxima!

 

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