Artigos Placas-Mãe

Jingsha X89 G34 – Apresentação e primeiras impressões

Fala pessoal, tudo bom?

Nesse artigo de primeiras impressões, irei lhes apresentar a Jingsha X89, que se trata de uma placa-mãe de origem chinesa, em um formato que lembra o mATX e equipada com o socket G34, portanto, destinada a uso com os “Opteron”, que basicamente trata-se da linha antecessora aos atuais “Epyc”. Em termos dos recursos disponíveis, essa placa oferece quatro portas SATA 3Gbps, dois slots de memória com suporte a memórias DDR3, PCI-E 2.0 e USB3.0.

Em relação à caixa, na parte da frente, além dos diversos textos em chinês existem fotos da placa, que curiosamente são de uma revisão anterior, portanto, um pouco diferentes do exemplar que recebi, enquanto na parte de trás, constam as mesmas fotos e também uma breve tabela com as especificações.

Além da placa mãe, acompanham o pacote o espelho traseiro, um pequeno cartão escrito em chinês, um cabo SATA e um adaptador plástico de LGA2011 para AM2/3/4.

A placa apresenta visual discreto, com PCB e slots pretos, sendo o socket G34 provavelmente o elemento mais chamativo dessa placa, claro, além das “particularidades”, se é que podemos dizer assim, no ‘layout’ da Jingsha X89. 🙂

O primeiro ponto a se observar é o seu ‘layout’ muito louco com medidas fora do padrão, o que pode ser visto nas fotos abaixo, onde relativo a GIGABYTE B550M DS3H, que se trata de uma placa-mãe no padrão mATX, a Jingsha X89 é menor no comprimento e um pouquinho maior na largura, o que pode trazer problemas de compatibilidade com alguns gabinetes mATX e certamente um ponto na qual é necessário tomar atenção.

Outro ponto é o posicionamento dos conectores de força 24 pinos ATX e 8 pinos EPS, que são completamente não usuais em placas modernas e podem trazer problemas na hora de organizar os cabos, posicionamento dos slots de memória logo acima do socket, que a princípio parece estranho, porém, é algo comum as demais placas G34, os três ‘fan headers’ que foram posicionados de maneira razoável e por fim, furação pra instalação de coolers compatíveis com LGA1366 e LGA2011, o que no caso, trata-se de um ponto positivo, pois a oferta de cooler compatíveis com socket G34 é limitada.

A respeito do socket G34, ele foi utilizado por três gerações de Opteron, no caso:

  1. Magny Cours: Esses foram os primeiros modelos a utilizar esse socket, eram baseados na arquitetura “K10”, fabricados em 45 nm e oferecidos com modelos de 8 a 12 cores com TDP entre 85W e 140W.
  2. Interlagos: Primeiros Opteron baseados na arquitetura “Bulldozer”, eram fabricados em 32 nm e oferecidos em modelos que iam desde os 4 aos 16 cores com TDP entre 85W e 140W. Vale lembrar que essa malfadada arquitetura usava o conceito de “módulos” onde cada uma dessas unidades possuía dois clusters de execução de inteiros que eram contados pela AMD como “cores” e uma unidade de ponto flutuante por módulo.
  3. Abu Dhabi e Warsaw: Esse foram os últimos Opteron a sair para o socket G34, eram baseados na arquitetura “Piledriver”, que em relação ao Bulldozer trazia ganhos no IPC, fabricados em 32 nm e novamente, foram oferecidos em modelos de 4 até 16 cores com TDP entre 85W e 140W. Os “Warsaw” basicamente foram um refresh dos “Abu Dhabi”, com dois novos modelos com menor TDP e frequência.

Todas essas CPUs têm em comum o fato de serem MCM (Multi-chip module) com 2 dies por encapsulamento ligados pelo “HT Link” e um controlador de memória dual channel por die conforme pode ser visto no diagrama abaixo, porém, a Jingsha X89 possui apenas dois slots de memória sendo cada um deles atribuídos a um dos dies, ou seja, basicamente trata-se de um “single channel” per die.

Essa configuração também traz consigo algumas limitações, por exemplo, a existência de dois NUMA Nodes implica que caso um core presente no “DIE 0” precise buscar alguma coisa na memória que está ligada ao “DIE 1”, existirá uma penalidade em latência e por consequência de desempenho, sendo necessário que o SO e o software seja otimizado (NUMA Awareness) para mitigar essa questão, exatamente como ocorre com os Threadripper de primeira e segunda gerações, que também possuem essa característica e é por conta disso que a AMD criou paliativos como o “Game Mode” para que essas CPUs apresentem rendimento um pouco melhor em aplicações que não são otimizadas para trabalhar dessa maneira, algo que não existe para esses Opteron, portanto, por essa razão e também pelo baixo IPC, essas CPUs definitivamente não são recomendáveis para quem pretende usar a máquina para jogos. 😉

Outro ponto sobre essas CPUs que é necessário destacar, é que com exceção das amostras de engenharia (ES), todos os Opteron G34 possuem multiplicador travado, porém, pode-se fazer overclock  via HTT (clock base) em placas que possuam essa opção, como algumas Supermicro com biosmod ou mesmo alterando alguns parâmetros da PLL via SMBUS.

Voltando a Jinghsa X89, existem quatro portas SATA 3 Gbps, o que deve limitar o desempenho mesmo usando SSDs de entrada e USB 3.0 frontal. A revisão da placa que recebi veio sem conector M.2.

Tanto o som (ALC662) quanto a rede (RTL8111F) integrada são da Realtek e foram implementadas da maneira mais simples possível, no caso do som, existem apenas alguns capacitores cerâmicos SMD e ele não foi implementado em uma camada isolada do PCB, o que implica que ele está sujeito a maiores interferências, portanto, não esperem lá muita qualidade nesse departamento.

O painel traseiro é composto por duas portas PS/2 (teclado e mouse), seis USB 2.0, duas USB 3.0, LAN ‘gigabit’ e painel de som básico com três jacks.

O dissipador do VRM e do chipset são peças separadas de alumínio e possuem muitas aletas, o que é muito bom do ponto de vista prático, pois isso maximiza a área de troca de calor com o ambiente, e eles são presos na placa usando presilhas plásticas com mola, algo que é comum a placas de entrada e por fim, o contato do dissipador com os mosfets é bastante satisfatório.

A respeito do VRM, o fabricante optou por um arranjo de 6 fases usando o controlador ISL6329, os mosfets utilizados são os FeTek FKBA3004 (high side) e FeTek FKBA3016 (low side), sendo um para cada lado, onde os FKBA3004 suportam uma corrente máxima de cerca de 38A @ 100 °C e possuem um Tr (tempo de subida) de 12.2ns e Tf (tempo de queda) de 8ns, o que é bastante satisfatório, enquanto os FKBA3016 apresentam rds(on) @ Vgs = 10V de 4mΩ, o que é algo medíocre do ponto de vista da eficiência e que deve ficar por isso mesmo por conta do fabricante não ter usado outro mosfet igual em paralelo como normalmente é feito.

Para frequência da chaveamento (Fsw) de 300KHz, 1.3V na saída, Vgs de 10V e uma carga de 100A, o que deve ser algo mais alto do que qualquer CPU G34 deve exigir em stock, a dissipação de calor fica na casa dos 15W, o que é um valor pouco maior do que aquele que estamos acostumados a ver nas placas B450 de entrada para mesma carga de 100A, o que denota que com algum fluxo de ar, deve existir alguma margem para overclock nos Opteron ES, que como disse anteriormente, são destravados. De todo modo, essa analise foi feita com base nos valores teóricos e em outra oportunidade, irei lhes apresentar como essa placa se comportou na prática.

Além do VRM da CPU, existem diversos outros conversores DC-DC espalhados pela placa e responsáveis por reduzir a níveis adequados a tensão da CPU/NB, NB, RAM e HT Link, no caso, em todos eles o fabricante optou por usar o uP1514Q, que se trata de um controlador monofásico  bastante simples, algo que é bom caso seja necessário fazer vmods na hora de fazer overclock em um monstrinho desses. Na galeria abaixo, é possível ver alguns desses reguladores.

Por fim, o chip PLL é o ICS 9EPRS475BGLF e de acordo com datasheet, ele permite subir a frequência do HTT via SMBUS, alterando o valor do terceiro byte de acordo com a tabela verdade fornecida, no caso, o valor padrão para 200 MHz deve ser 0Fh.

  • Conclusão:
  1. No que diz respeito ao ‘layout’, a Jingsha X89 é definitivamente a placa mais esquisita que já passou pelas minhas mãos! Ela parece ser mATX, porém, é menor no comprimento e um pouquinho maior na largura, o que pode trazer problemas com gabinetes no padrão Micro-ATX, o posicionamento de alguns componentes e conectores como o ATX 24p e o EPS 8p são no mínimo peculiares e podem causar complicações na hora de organizar os cabos e finalmente, como ponto positivo, o fabricante optou por incluir furação compatível com LGA1366/2011, o que é interessante por conta da disponibilidade muito maior de coolers para essas plataformas da Intel do que para AMD G34.
  2. Sobre os recursos integrados, essa placa também é um tanto quanto precária, oferecendo uma “implementação soviética” do codec de áudio e LAN Gigabit dos mais simples do catalogo da Realtek, as portas SATA ainda são 3 Gbps, o que deve limitar o desempenho de qualquer SSD moderno e a maior parte das portas USB do painel traseiro são 2.0. É evidente que é necessário dar um desconto por conta dessa plataforma ser um tanto quanto antiga, afinal de contas, seu lançamento foi em 2009, entretanto, a placa-mãe é encontrada a venda como produto novo e muita gente pode não estar a par dessas limitações.
  3. O VRM da placa juntamente aos dissipadores utilizados, ainda que não sejam extraordinários, devem ser suficientes para operação segura em stock de qualquer processador lançado para esse socket, fazendo apenas a ressalva para caso de overclock especialmente usando amostras de engenharia, que são completamente destravadas e nesse caso, o VRM pode acabar limitando um pouco.
  4. Dos processadores disponíveis, ou são baseados na arquitetura K10, ou Bulldozer, ou Piledriver, as frequências de funcionamento são relativamente baixas e por conta da implementação usando MCM com dois dies iguais conectados via HT Link, existe também a questão dos NUMA Nodes, portanto, nem sequer existe a necessidade de fazer muitos testes (mas farei mesmo assim) para atestar que essa é uma opção ruim para quem pretende usar a máquina para jogar.
  5. Por fim e não menos importante, os testes virão em uma oportunidade futura pois os processadores ainda não chegaram, de todo modo, já lhes adianto que o propósito aqui é sim tentar explorar o overclock nessa coisa e saciar a curiosidade que tenho de testar um monstrinho desses pelo menos desde 2009, ainda que hoje isso não tenha nem de longe o brilho de outrora.

Gostou desse artigo? Ele lhe foi útil? Contribua com o apoia-se da página para que seja possível continuar trazendo novos conteúdos aqui na The Overclocking Page!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: