Overclock Extremo

Ajustando e testando a Rampage Extreme – O lendário socket 775 – Parte II

Na semana passada, foi postado aqui na página a primeira parte da série sobre o socket 775, o qual é considerado "lendário" por muitos por conta da sua longevidade, recebendo várias gerações de CPUs durante a sua vida útil... Continuar lendo!

Fala pessoal, beleza?

Na semana passada, foi postado aqui na página a primeira parte da série sobre o socket 775, o qual é considerado “lendário” por muitos por conta da sua longevidade, recebendo várias gerações de CPUs durante a sua vida útil.

Além disso, nesse primeiro artigo, foi apresentada a ASUS Rampage Extreme, que se trata de uma das placas mais desejadas para esse socket, sendo que até hoje, as raras unidades usadas disputadas entre os overclockers, afinal, essa é a placa que domina os rankings de vários CPUs 775, em especial, dos Wolfdale (dual core 45nm).

Nessa segundo post da série, vamos tratar sobre alguns dos ajustes disponíveis e seu impacto no desempenho, além é claro, de rodar alguns benchmarks usando refrigeração a água e um E8400 binado!

Sobre a BIOS, muitos talvez não tenham pegado o tempo da interface azul e sem mouse, mas nessa época, as coisas eram desse jeito, afinal, a adoção da UEFI em placas-mãe voltadas ao grande público coincidiu com o lançamento do Sandy Bridge, com apenas alguns poucos modelos de nicho saindo antes com esse recurso, onde podemos citar esse modelo da MSI.

Independente a interface ser ou não “old-school”, as opções de overclock estavam todas ali. Precisa de timings de memória? Temos até os terciários! Ajustes específicos da plataforma? Estão ali! Precisa alterar a tensão da CPU, NB e do que mais for necessário? Checado!

Sendo assim, existem alguns parâmetros que costumam fazer uma diferença a mais nessa plataforma, seja do ponto de vista do desempenho quanto da estabilidade, os quais serão detalhados logo abaixo!

GTL: Esses ajustes se referem a tensão de amostragem dos pinos GTL, onde o GTL0/3 são os pinos do barramento de dados e o GTL1/2 do de endereços, onde a ponte norte também tem o seu GTL. Em overclock, esses ajustes costumam impactar na frequência máxima do FSB, onde CPUs de diferentes gerações e mesmo chipsets costumam gostar de tensões diferentes aqui.

Essas tensões de GTL são derivadas do VTT (FSB Termination Voltage), com valores em uma faixa útil que costuma variar do VTT * 0.57 até VTT * 0.67. De acordo com o TerraRaptor, a REX automaticamente usa o GTL0/2 em 0.65x e o GTL1/3 em 0.67x, onde você pode aplicar offsets para alterar esses parâmetros, cuja tensão pode ser medida em capacitores localizados próximos ao socket. Lembrando que apesar de o cálculo do GTL ser sempre esse, a forma como os ajustes são apresentados podem mudar de placa-mãe para placa-mãe.

Para referência dos valores para cada geração de CPU, essa thread do Xtremesystems e essa do overclock.net são ótimos pontos de partida, porém, é necessário lembrar que podem existir amostras que precisem de um ajuste especifico, então é bom ficar ligado com isso.

FSB Strap to Northbridge: Se você parar para dar uma olhada na lista de CPUs 775 disponíveis, verá que existem modelos com diversas especificações de FSB, como, por exemplo, 800/1066/1333 e até mesmo 1600, os quais, por conta desse barramento ser QDR, esses valores podem ser divididos por 4 para chegar a frequência base.

A REX e várias outras placas 775 oferecem então o ajuste de “strap”, que permite enganar a placa-mãe, fazendo-a “pensar” que está sendo utilizado uma CPU com FSB original diferente. A vantagem disso? Bom, esses straps alteram alguns parâmetros internos do chipset, onde o desempenho tende a ser maior ao se usar um valor menor, porém, isso é mais “agressivo” para a placa-mãe, onde nem todos os exemplares conseguem operar com overclock mais alto no clock base usando um strap mais baixo.

Performance Level: Esse é um dos parâmetros de desempenho mais importantes! O Performance Level é uma espécie de “timing” do chipset, o qual apresenta grande impacto na banda e latência de memória, algo importante, afinal, lembrem-se que essas CPUs não possuem controlador de memória integrado a CPU.

Assim como o strap, esse ajuste também pode limitar a frequência máxima do FSB, sendo necessário relaxá-lo para ir mais longe em alguns casos. Abaixo, é possível ver alguns testes a respeito do impacto desse ajuste, onde foi usado um E8400 @ 4.5 GHz, 500 MHz de FSB, memórias @ 750 MHz 7-7-7-21 e junto do Command Rate em 1T, esse ajuste acabou apresentando impacto considerável na latência, leitura e cópia de memória.

Command Rate: Como foi mostrado acima, o Command Rate apresenta impacto considerável no desempenho com memórias DDR3, então, exceto se o objetivo seja usar quatro pentes de memória ou você disponha de algum kit que não trabalhe bem com 1T, a recomendação é manter 1T.

Apenas fazendo um adendo sobre as memórias, para essa plataforma, use chips Micron D9GTR/GTS/JNL, Elpida Hyper MNH-E/MGH-E ou em último caso, PSC ou Elpida BBSE. Essas são de longe a melhor opção em desempenho e compatibilidade.

Ai Clock Twister: Aparentemente, esse ajuste se refere a algum timing interno do chipset, algo que infelizmente, não tenho como comprovar, porém, nos testes, deixar esse ajuste em “AUTO” ou com os parâmetros mais “fortes”, ocasionou em instabilidades, com a máquina desligando sozinha na hora de carregar o SO, algo que melhorou ao usar o “Ai Clock Twister” em “Light” ou mesmo “Lighter”, então, fica a dica caso alguém esteja passando por problema similar.

  • Configuração utilizada:

CPU: Core 2 Duo E8400

MOBO: ASUS Rampage Extreme X48

RAM: 2x1GB Corsair Dominator “CM3X1G1600C9DHX” rev3.1 1600CL9 1.8V – 2x2GB Corsair Dominator CMG6GX3M3A2000C8 rev 2.1 2000CL8 1.65V

GPU: EVGA GTX 970

PSU: Antec Quattro 1200W

COOLER: Water Cooler da bancada

SSD: Hyper X 120 GB

Software: Windows XP + Windows 7 x64 SP1 + Cinebench R11.5/R15 e Geekbench 3.4.4

Objetivo dos testes: Usar tudo aquilo que foi explicado anteriormente para obter bons resultados nos benchmarks com overclock em um C2D E8400 binado. Mais detalhes a respeito dos testes estão contidos no texto a seguir.

  • Resultados:

É evidente que uma placa-mãe especial como essa não poderia ser testada com qualquer CPU aleatória, então, para esse artigo, foi escalado o melhor E8400 que tenho em mãos, o qual foi binado entre três exemplares adquiridos no AliExpress, onde esse conseguiu completar o Cinebench R15 @ 5 GHz 1.55V e fazer ao menos 660 MHz de FSB em uma GIGABYTE GA-EP45-UD3R.

Como era de se esperar, ele rodou os benchmarks pesados em 5 GHz com facilidade, completando também o GB3 a 4.8GHz, simplesmente porque esse teste não valida o resultado se aumentar o FSB “on-the-fly”, portanto, foram 4.8GHz direto da BIOS, onde aqui também foi necessário recorrer ao kit 2×2 GB com chips Elpida Hyper, afinal, esse benchmark não completa com apenas 2 GB de RAM.

O plano era rodar também os clássicos como o SuperPI, Pifast e wPrime, os quais vão bem no Windows XP, porém, a placa estava apresentando comportamento um tanto anômalo ao tentar carregar esse SO, desligando no processo, de forma que só foi possível rodar o SuperPI 1M @ 4.9GHz uma vez, porém, ao menos obtendo um ótimo tempo como resultado.

Além disso, foi possível validar 5104.29 MHz nesse E8400, uma marca que permanece inalcançável sem o uso de refrigeração extrema em muitas CPUs modernas! 😀

  • Conclusão:

Apesar da Rampage Extreme ser uma placa antiga, não faltam opções para overclock e ajustes que impactam diretamente no desempenho da máquina, aliás, esse é um dos motivos dessa placa ser procurada até hoje pelos overclockers, é simplesmente divertido, desafiador e recompensador mexer com isso!

Sobre os resultados obtidos, o E8400 completou vários benchmarks a 5 GHz na água com os “pés nas costas”, obtendo números bastante expressivos para um “dual core” antigo como esse, o que, novamente, deixa claro o porque muita gente até hoje guarda certo carinho por essa plataforma e pelos lendários “Core 2 Duo”. Novamente, fica aqui o agradecimento ao Kona64, pois essa série não teria saído do papel se não fosse por ele.

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