Overclock Extremo

Crosshair VIII Impact e Ryzen XT – Overclock extremo (LN2) e resultados

Fala pessoal, beleza?

Alguns meses atrás, fiz uma sequência de posts e inclusive um vídeo a respeito de overclock extremo nas minhas amostras de Ryzen XT (3900XT, 3800XT, 3600XT) e também do R3 3300X e na ocasião dos testes dos “XT”, disse que a “eficiência” da Crosshair VII Hero nos benchmarks estava deixando a desejar provavelmente por alguma questão na última bios, que é a que oferece suporte aos “XT”, no caso, a implicação disso é que comparado com uma placa-mãe “mais eficiente”, para as mesmas frequências de memória/CPU, latências, SO e “tweaks”, os resultados ficarão abaixo do esperado e por consequência, serão menos competitivos nos rankings.

Por conta disso e também pelo fato de que o suporte aos novos Ryzen 5000 nas placas com chipset X470/B450 só deverá vir em 2021, foi necessário ir atrás de outra placa-mãe e a escolhida, que inclusive já foi usada em artigos mais recentes aqui na página, foi a Crosshair VIII Impact! 🙂

Sobre a Crosshair VIII Impact (C8I), se trata de uma placa-mãe AM4 com chipset X570 voltada a “builds” compactas por conta do formato Mini DTX, o qual é importante lembrar que é um pouco maior que o Mini ITX no comprimento, portanto, é necessário checar previamente a compatibilidade com o gabinete e principalmente para overclock extremo, trazendo consigo um robusto VRM de 4+2 fases utilizando dois TDA21472 por fase com muitos capacitores de polímero de alumínio no estágio de filtragem, jumper LN2 Mode, Slow Mode, display Post Code e dois slots de memória deliciosamente posicionados próximos do socket da CPU, o que implica que essa placa é uma das melhores, senão a melhor, opção disponível para essa plataforma no que diz respeito a overclock de memória.

A respeito da construção da placa, o layout é um tanto peculiar a primeira vista, com a placa de som integrado montada em um conector a parte na porção inferior do PCB, com um slot chamado SO-DIMM.2 onde um PCB extra com duas M.2 que acompanha a placa pode ser instalado, backplate com um heatpipe integrado e painel traseiro com dois fans para refrigerar o X570 e o VRM e também com WI-FI integrado, então, do ponto de vista dos recursos integrados, a C8I apesar de pequena não deve em nada para as demais placas X570 disponíveis no mercado, entretanto, apesar dela ser absolutamente brilhante como hardware, apenas recomendo sua aquisição caso o intuito seja extrair o máximo da plataforma incluindo uso sério com overclock extremo, afinal de contas, o seu preço sugerido é de US$430 (entre R$2700 e R$3500 aqui no Brasil) e caso o propósito seja apenas montar uma máquina AM4 compacta porém ainda “topo de linha”, existem outras alternativas bastante decentes por uma fração do preço e que devem atender perfeitamente as necessidades.

Como disse anteriormente, essa placa tem como árdua missão suceder a Crosshair VII Hero aqui na página, e assim como essa, foi feito o seu isolamento com plastidip, o que significa que basta colocar o papel toalha que ela já está pronta para “cair” no overclock extremo e cabe ressaltar que isso não interfere no funcionamento da placa, sendo perfeitamente seguro de utiliza-la no ar/água dessa maneira e que se corretamente aplicado, isso sai como se fosse um adesivo.

Feitas as apresentações, vamos às configurações e os resultados das sessões de “saideira” dos Ryzen “Matisse”, afinal de contas, 5/11 está logo ai. 😉

  • Configuração utilizada:

CPU: AMD Ryzen 3 3300X / AMD Ryzen 7 3800XT / AMD Ryzen 9 3900XT (Obrigado AMD!)

MOBO: Crosshair VIII Impact (UEFI 2206)

VGA: Galax GeForce GTX1650 Super (Obrigado Galax!)

RAM: 2x8GB G.Skill FlareX 3200CL14

REFRIGERAÇÃO: SF3D Inflection Point + LN2

STORAGE: Sandisk 120 GB

Software utilizado: Windows 10 x64 build 2004, Cinebench R15, Geekbench 3.4.3b2.

Objetivo dos testes: “Batizar” a Crosshair VIII Impact no overclock extremo e verificar a diferença, caso exista, nos resultados em relação ao que foi obtido previamente utilizando a Crosshair VII Hero.

Detalhes de como foram conduzidos os testes e metodologia estão descritos no texto que acompanham os resultados.

  • Resultados:

Relativo aos resultados obtidos anteriormente usando a C7H, fica evidente o quão superior a C8I é no que diz respeito ao overclock nas memórias, sendo possível de se atingir os 4600MHz 14-13-13-13-28-260-1T 1.95V nas Flare X 3200CL14 pcb A0 com facilidade, o que é excelente, afinal de contas, o limite para a “antiga” X470 era 4400MHz, entretanto, é necessário destacar que isso não é para qualquer CPU, no caso, apenas o R7 3800XT foi capaz de obter essa marca trabalhando com FCLK @ 1900MHz com refrigeração ambiente, enquanto 3600XT/3900XT precisaram baixar para os 1866MHz e o R3 3300X nem sequer passou no post com essa configuração, sendo necessário baixar para 4533/1866.

Outra diferença da C8I para a C7H é a questão do CBB (Coldboot Bug), que é quando o sistema funciona normalmente em determinada temperatura dentro do SO, porém, é necessário aquecer a CPU para ela passar no post e no caso, era bastante comum disso ocorrer com a C7H e precisar subir a temperatura para algo na casa dos -50ºC para retomar o funcionamento, um procedimento bastante dispendioso, afinal de contas, será necessário gastar LN2 para tornar a gelar o processador, enquanto com a C8I, mesmo usando uma CPU “chata” com CB (Coldbug) na faixa dos -138ºC, não foi preciso em momento algum aquecer muito o pot para as coisas voltarem a funcionar, o que é muito bom! 🙂

  • Ryzen 7 3800XT:

Relativo aos resultados que haviam sido obtidos anteriormente, o R7 3800XT “estancou” na mesma frequência máxima de 5775MHz com cerca de 1.7V e novamente não apresentou CB/CBB, funcionando normalmente “full pot”, ou seja, com temperatura de até -190 °C, entretanto, com a C8I foi possível trabalhar com o FCLK @ 1900MHz nessas condições e para isso acontecer, foi necessário deixar de lado o uso do jumper “LN2 Mode”, que nessa placa serve para aplicar VDDSOC em 1.35V, VDDG CCD em 1.2V, VDDG IOD em 0.9V e VDIMM em 1.65V automaticamente, e deixar as tensões do VDDSOC/VDDG (os dois) em AUTO, igual se estivesse usando refrigeração ambiente, assim, foi possível obter esses resultados, pois estranhamente, ao aplicar VDDSOC acima de 1.1V, a placa trava no post com FCLK superior a 1600MHz, algo que foi verificado até mesmo enquanto usando refrigeração a água.

Dos resultados, foi possível superar a marca dos 58000 pontos no Geekbench 3 e 3115 no Cinebench R15, o que correspondem ao 2º e 10º lugares no ranking global das CPUs com 8 cores no HWBOT, o que é excelente se formos levar em consideração que boa parte dos concorrentes são i9 9900K com frequência na casa dos 7 GHz. Já em comparação aos resultados anteriores obtidos com a C7H, houveram ganhos de 1111 pontos no GB3 e 50 no R15 por conta da maior frequência das memórias/FCLK e eficiência da placa.

  • Ryzen 5 3600XT:

Em relação aos resultados que haviam sido obtidos anteriormente, o R5 3600XT parou nos mesmos 5775MHz com cerca de 1.7V e apresentou CB na casa dos -175ºC e infelizmente não foi possível trabalhar com o FCLK @ 1900MHz, apresentando problemas no funcionamento abaixo dos -145ºC nessas condições, portanto, foi utilizado o jumper LN2 Mode, VDDSOC na casa dos 1.45V (até 1.55V não mudou nada no CB), VDDG 1.2V/0.9V e FCLK @ 1600MHz para obtenção dos resultados.

Dos números obtidos, foi possível superar a marca dos 44375 pontos no Geekbench 3 e 2354 pontos no Cinebench R15, o que correspondem ao 2º e 4º lugares no ranking global das CPUs com 6 cores no HWBOT, o que novamente são ótimos resultados! Em comparação com o que havia sido obtido com a C7H, houveram ganhos de 428 pontos no GB3 e 54 no R15 por conta da maior frequência das memórias e eficiência da placa.

  • Ryzen 3 3300X:

Por fim, no R3 3300X foi possível esticar +50MHz no GB3, chegando a 5550MHz com cerca de 1.72V e apresentou CB na casa dos -138ºC e infelizmente não foi possível trabalhar nem com o FCLK @ 1900MHz e tampouco com a memória @ 4600MHz, sendo necessário abaixar para 4533MHz para passar no post, por fim foram utilizados o jumper LN2 Mode, VDDSOC na casa dos 1.45V (até 1.55V não mudou nada no CB), VDDG 1.2V/0.9V e FCLK @ 1600MHz para obtenção dos resultados.

Foi possível superar a marca dos 29900 pontos no Geekbench 3 e 1518 pontos no Cinebench R15, o que correspondem ao 8º e 40º lugares no ranking global das CPUs com 4 cores no HWBOT, o que são bons resultados. Em comparação com o que havia sido obtido com a C7H, houveram ganhos de 589 pontos no GB3 e 8 no R15.

E por fim, eis a tradicional galeria de fotos do hardware congelado! 🙂

  • Conclusão:
  1. A Crosshair VIII Impact é uma placa bastante diferenciada, a começar do seu form-factor Mini DTX, que não costuma ser muito usual em placas voltado ao segmento de alto desempenho, passando pelas engenhosas soluções que foram adotadas para integrar muita coisa em tão pouco espaço, afinal de contas, temos duas M.2 usando o acessório SO-DIMM.2 que acompanha a placa, Wi-Fi, 4 portas SATA, áudio integrado de melhor qualidade e tudo isso em um PCB pouco mais comprido que o mais comum Mini-ITX e como se isso já não bastasse, essa placa-mãe é completamente orientada a uso em overclock extremo, com VRM muito robusto, 2 slots de memória próximos ao socket visando extrair o máximo delas, LN2 Mode, Slow Mode e etc, porém, ainda que a C8I seja irretocável no que diz respeito a sua engenharia, isso tem seu custo e que no caso é de US$430 (algo entre R$2700~R$3500 localmente), o que definitivamente é bastante alto, então, se o que você procura é uma placa-mãe voltada para uso em overclock um pouco mais forte, essa certamente é uma das melhores, senão a melhor, opção do mercado, porém, se o intuito for apenas montar uma máquina compacta, certamente existem alternativas com custo-benefício melhor e que também devem atender a necessidade.
  2. No que diz respeito ao overclock de memória, foi possível atingir 4600MHz CL14-13-13-13-28-260 e FCLK em 1900MHz com facilidade no R7 3800XT, que é de longe o melhor exemplar de Ryzen “Matisse” que disponho, entretanto, isso mostra que definitivamente a placa-mãe não é o fator limitante e sim a CPU e memória.
  3. No overclock extremo, foi possível melhorar as marcas obtidas anteriormente no GB3 e Cinebench R15 com os três processadores que foram testados, o que corrobora com a observação anterior de que a última bios da C7H definitivamente não estava ajudando nos resultados, aliado a memória rodando com frequência mais alta na C8I e também o FCLK em 1900MHz no caso do 3800XT, fizeram com que a diferença ficasse ainda mais evidente! No que diz respeito a CB/CBB, a Impact acabou sendo mais “amigável”, não sendo necessário em nenhum momento ficar aquecendo o o CPU até a casa dos -50ºC para recobrar o funcionamento da máquina.

Então por hoje é só pessoal! Espero que gostem da “despedida” dos Ryzen 3000, afinal de contas, os 5000 estão logo ali não é mesmo? 😉

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