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Testando CPU Intel QQLT Interposer – Bom no overclock?

Alguém já pensou na possibilidade de se usar uma CPU de notebook em um desktop? Claro, existem computadores, em especial aqueles modelos "all-in-one" ou os "NUCs", que costumam ser equipados com esses processadores em razão do seu menor TDP, algo importante em um cenário cujo espaço para o sistema de refrigeração pode ser limitado, mas usar esses modelos em placas-mãe convencionais? ... Continue lendo!

Fala pessoal, tudo bom?

Alguém já pensou na possibilidade de se usar uma CPU de notebook em um desktop? Claro, existem computadores, em especial aqueles modelos “all-in-one” ou os “NUCs”, que costumam ser equipados com esses processadores em razão do seu menor TDP, algo importante em um cenário cujo espaço para o sistema de refrigeração pode ser limitado, mas usar esses modelos em placas-mãe convencionais?

Alguém, com toda razão, levantará o ponto de que a maior parte dos processadores mobile modernos são no formato BGA, ou seja, soldados diretamente na placa-mãe, o que por si só inviabilizaria seu uso em um socket LGA ou PGA, porém, e caso alguém fosse lá e desenvolvesse um “interposer” para possibilitar a instalação da CPU BGA em um socket LGA? Também seria necessário alguma “gambiarra” para “fixar” o processador e manter contato com os pinos, afinal, esse “package” provavelmente teria altura diferente da de um modelo padrão, o que impossibilitaria o uso do mecanismo de retensão padrão.

“Ah, mas isso daria trabalho demais e mesmo assim, teriam que dar jeito nas bios das placas para suportar esses processadores, o que pode ser um problema, mesmo sabendo que em muitos dos casos, o die utilizado é compartilhado entre as CPUs de desktop e mobile”.

Concordo plenamente! Mas e se resolvessem esse problema também? Pois, foi exatamente isso que os chineses fizeram e agora, na verdade, a algum tempo, eles vêm oferecendo CPUs de notebook adaptados para uso em desktop! Será que isso é uma boa ideia? Da para fazer overclock nisso? São essas as questões a serem respondidas nesse artigo! 😀

Por ser uma adaptação usando amostras de engenharia de processadores mobile, então, receber algo desse tipo em uma caixinha oficial da Intel definitivamente não é uma possibilidade, porém, ainda sim, a CPU vem bem acomodada dentro de uma pequena caixa plástica junto aos acessórios, no caso, um suporte metálico, parafusos com as respectivas chaves e dois chips de memória flash já gravados com a BIOS necessária, bastando informar ao vendedor o modelo da sua placa-mãe, mas se os chips de bios forem soldados, não tem problema, pois ele também envia o arquivo via e-mail. 🙂

Mas se o teu perfil é de se aventurar a querer modificar a bios a placa por conta e risco, é possível o fazer usando uma ferramenta chamada “CoffeTime”, o qual esse vídeo do Casual Gamers mostra o procedimento.

O “package” com interposer é um pouco maior que o normal e também mais espesso, o que é uma hipótese para explicar o porque esses chips acabam ficando aquém dos “normais” no que diz respeito ao overclock de memória, afinal, o pcb adicional pode ser considerado uma impedância adicional no “caminho” entre IMC e os pentes de memória, comprometendo a qualidade do sinal com distorção/reflexão, problema acentuado conforme se aumenta a frequência.

A CPU em questão é um ES de código “QQLT”, que possui multiplicador destravado e usa o mesmo die empregado nos i9 9900K, porém, com dois núcleos desativados, ficando com 6c/12t. Esse processador não possui um modelo comercial equivalente, mas vale mencionar que para as mesmas frequências de CPU e memória, o desempenho deve ser muito semelhante ao de um i7 8700K.

Cabe destacar que nem todas placas-mãe são compatíveis com esses chips e que nem todos os modelos possuem multiplicador destravado, de maneira que é necessário se atentar a uma tabela disponibilizada pelo vendedor, que destaca a questão da compatibilidade desses processadores e traz uma série de recomendações de uso para eles, incluindo a informação sobre quais modelos são destravados e quais não o são.

Como disse anteriormente, por conta do “interposer”, essa CPU é um pouco maior do que uma que seja LGA1151, por isso, o mecanismo de retenção padrão do socket não é compatível, sendo necessário remove-lo para instalar tanto o QQLT quanto as demais CPUs nesse formato, onde o único componente que é aproveitado é o “backplate”.

Feito isso, o processo de instalação torna-se muito simples, bastando encaixar o processador no socket, colocar o suporte metálico e parafusa-lo no bracket, cabendo a observação que por conta do die ser exposto, dissipadores que usam heatpipes de contato direto na base não são uma boa escolha para essa CPU, afinal de contas, a área de contato ficaria limitada a apenas um heatpipe ou ainda pior, poderia o die ficar entre os seus vãos, prejudicando muito o desempenho térmico.

E por fim, para aqueles que preferem o formato de vídeo, abaixo é possível assistir a livestream onde foram obtidos resultados que serão mostrados adiante, de todo modo, não se esqueçam de se inscrever no canal do YouTube e seguir la na twitch! 🙂

  • Configuração utilizada:

CPU: Intel “QQLT” 2.4 GHz

MOBO: ASRock Z170M OC Formula

RAM: 2x16GB GSkill TridentZ Neo 3600 CL16

GPU: NVIDIA GeForce GT 210

PSU: Antec Quattro 1200W

REFRIGERAÇÃO: Water Cooler custom da bancada + Thermal Grizzly Conductonaut

SSD: Goldenfir 120 GB

SO: Windows 10 x64 “Ghost Spectre”

Objetivo dos testes: Descobrir o limite do “QQLT” usando refrigeração a água, visando extrair desempenho máxima nos benchmarks e verificar o seu comportamento nessas condições. Os detalhes de como foram conduzidos os testes e metodologia estão descritos no texto que acompanham os resultados.

  • Resultados:

A respeito da capacidade de overclock, como era de se esperar, o “QQLT” é muito parecido com qualquer outra CPU Intel de 8.ª geração em diante que sejam baseados na arquitetura Skylake, no caso do exemplar testado, a “mágica” marca dos 5 GHz estáveis para uso diário pode ser obtida com tensão na casa dos 1.35V e os 5.1GHz com algo como 1.4V~1.425V, porém, para o próximo passo, que seria 5.2GHz, foi necessário “esticar a corda” para além dos 1.5V, com 1.55V~1.6V para se obter estabilidade nos “benchmarks”, ajuste esse inviável para uso diário, apresentando temperaturas acima dos 80 °C com carga.

Sobre o overclock nas memórias, como era de se esperar, ficou limitado entre os 2933MHz e 3200MHz, dependendo do chip de memória que estiver sendo utilizado, no caso, os 3200MHz só foram possíveis nos kits Micron E-Die e mesmo assim, nem sempre a máquina apresenta bom funcionamento nessas condições, então, qualquer memória que consiga atingir 2933MHz com timings razoáveis já pode ser considerada boa o suficiente aqui.

Sobre os resultados, foi possível completar os benchmarks competitivos a 5.2GHz ou mesmo um pouquinho mais, apresentando números similares ao do R5 3600 do lançamento também usando refrigeração a água e dos i7 8700K com frequências na casa dos 5.1GHz ou 5.2GHz o que é bastante satisfatório!

Conclusão:

O “QQLT” adaptado para o socket LGA1151 se mostrou a verdadeira “gambiarra do bem”, apresentando bom funcionamento na maior parte do tempo, boa capacidade de overclock, o que já era esperado tendo em vista que essa CPU usa o mesmo die dos i9 9900K, porém, com apenas 6c/12t ativados e desempenho bastante razoável nos benchmarks competitivos, ficando bem próximo a um i7 8700K trabalhando na mesma frequência.

De negativo, temos a limitada margem de overclock nas memórias, onde foi possível obter até 3200MHz com estabilidade apenas usando módulos equipados com chips Micron E-Die e mesmo assim, com funcionamento um tanto quanto intermitente, vez ou outra apresentando problemas para a máquina subir com essa frequência, então, é razoável supor que o seu limite fica nos 2933MHz, funcionando bem nessa frequência mesmo com módulos “dual rank” com chips Samsung B-Die.

Outro ponto a se verificar é a questão da compatibilidade com as placas-mãe, onde boa parte das Z170/Z270/Z370 oferecem suporte a essas CPUs após biosmod, porém, é necessário se atentar as informações divulgadas pelo vendedor ou mesmo entrar em contato com ele para confirmar a compatibilidade. Normalmente a bios modificada já acompanha a CPU ou é enviada ao cliente via e-mail, porém, caso falte isso, é possível fazer a modificação de maneira automatizada via “CoffeeTime”.

A respeito do valor, ele pode ser adquirido no AliExpress por cerca de US$118.75 (dia 1/8, cerca de R$641.50), o que sem dúvida alguma é um valor interessante se você já tiver uma placa-mãe compatível com um dual ou quad-core e deseja fazer um upgrade sem trocar todo o “hardware”, porém, se for montar a máquina do zero, pode ser o caso de procurar algum Ryzen de terceira geração “no precinho” ou se for de Intel, desembolsar um pouco mais por um i5 11400F, afinal, por mais que o “QQLT” tenha funcionado muito bem para o que se propõe, ainda se trata de algo desenvolvido por terceiros com as supracitadas limitações de frequência na memória e possivelmente de compatibilidade.

E por hoje é só! Dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima!

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2 comentários

  1. Cool story =), the question of how long this processor will live, no one guarantees the quality of the BGA soldering, and with strong heating and pressing the socket, some BGA ball may fall off.
    It remains to put a glass with nitrogen and see what it is capable of 😉

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