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[Review] SSD Somnambulist SATA 240 GB

Nesse review irei analisar o SSD Somnambulist, no caso, se trata de uma marca chinesa vendida no AliExpress, oferecendo modelos com ‘interface’ SATA e form-factor de 2,5” em capacidades que vão desde os 120 GB até os 2 TB, onde a unidade analisada é de 240 GB... Continue lendo!

Fala galera, tudo tranquilo?

Nesse review irei analisar o SSD Somnambulist, no caso, se trata de uma marca chinesa vendida no AliExpress, oferecendo modelos com ‘interface’ SATA e form-factor de 2,5” em capacidades que vão desde os 120 GB até os 2 TB, onde a unidade analisada é de 240 GB.

Em relação à embalagem, o SSD vem em um saco anti-estático e acompanha um cartão e um cordão vermelho (?).

Sobre o SSD, a carcaça é de plástico azul com uma etiqueta identificando o fabricante, modelo e capacidade. Sobre a fixação do “chassis”, as partes são apenas encaixadas nas laterais , não usam parafusos para fixação e ao abrir o SSD, você também abre mão da garantia, afinal, o fabricante colocou um lacre entre às duas partes.

O PCB do SSD é compacto, onde podemos ver a controladora e os quatro chips de memória NAND cujo código não nos permite identificar diretamente o fabricante.

Da controladora, o fabricante optou por usar a Yeestor YS9082HC , onde ela é “DRAM-Less” de quatro canais com suporte a NANDs 3D MLC/TLC/QLC e já apareceu por aqui em outros SSDs SATA chineses, apresentando desempenho medíocre nesses outros modelos. Veremos se isso será diferente com o Somnambulist.

Por ser tratar de uma controladora “DRAM-Less”, é necessária a implementação de alguma solução para compensar a falta da DRAM, afinal de contas, ela é usada para armazenar uma espécie de “mapa dos endereços de memória” para o SO saber onde as informações estão gravadas no SSD e quando ela não é presente, é normalmente usada a própria NAND para isso.

O grande problema dessa “solução” é que a memória NAND é mais lenta que a RAM e a sua “vida útil” , também chamada ‘Endurance’, é algo em função do número de escritas realizadas, o que significa que simplesmente utilizar a NAND para isso vai acabar comprometendo o SSD em duas frentes: desempenho e durabilidade.

Para mitigar esse “efeito” indesejado, os fabricantes das controladoras adotam diferentes estratégias, onde a mais usual é o chamado “SLC Cache”, que consiste separar um pedaço da NAND que será usado como um cache de escrita, onde ele irá trabalhar como se fosse “SLC”, ou seja, gravando em apenas 1 bit da célula, o que efetivamente dá um “boost” no desempenho do SSD com um compromisso muito menor na durabilidade. É evidente que essa abordagem apresenta limitações, por exemplo, se você estiver lidando com arquivos muito grandes ou se a unidade estiver cheia, então o desempenho tende a despencar.

Em relação às memórias NAND adotadas, elas foram identificadas pela ferramenta SSD_ID como Hynix 3dv6-128L 3D TLC e como seu próprio nome sugere, são de 128-layers onde cada chip usa um die de 512Gb, totalizando 256 GB entre às quatro NANDs utilizadas.

Caso alguém tenha interesse por mais informações a respeito desse SSD, abaixo, uma captura de tela do SSD Flash ID.

Antes de apresentar a configuração usada nos testes, é necessário ressaltar que os componentes utilizados podem variar entre as amostras, de forma que os resultados a serem apresentados se referem as unidades com a mesma configuração da amostra que tenho em mãos.

  • Configuração utilizada:

CPU: AMD Ryzen 5 3600 (Obrigado AMD!)

MOBO: ASUS TUF X570-PLUS/BR (UEFI 3405 – Obrigado Terabyteshop!)

RAM: 2x8GB Crucial Ballistix Sport LT 3200CL16 (Obrigado Terabyteshop!)

GPU: GIGABYTE RX 5500 XT 8 GB (Obrigado Terabyteshop!)

PSU: Seasonic M12II Bronze 750W

COOLER: XPG Levante 240 (Obrigado XPG!)

SSD: Somnambulist SATA 240 GB

Software: Windows 10 x64 2004, Anvil Storage Utilities V110, Crystalmark 7.0.0 x64, DiskBench, FFXIV Shadowbringers Benchmark, Iometer 1.1.0, PCMark10.

Objetivo dos testes: Aferir o desempenho do SSD em diversos benchmarks que simulam diferentes condições de uso. Para obtenção desses números, o SO está instalado em outra unidade enquanto no SSD de teste foram instalados apenas o PCMark10, o FFXVI Benchmark e a cópia da pasta do GTA V.

Maiores explicações acerca dos testes conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

Resultados:

Para melhor organização dos resultados, os benchmarks foram separados em “Testes do mundo real” e “Benchmarks sintéticos”, onde os primeiros tendem a simular o uso normal do PC, ou seja, tempos de carregamento de aplicações, jogos e cópia de arquivos, enquanto o segundo grupo, que é o dos “Benchmarks sintéticos”, mostram números de desempenho em leitura/escrita/IOPS em algumas situações usando tipos de dados pré-definidos.

  • Testes do “mundo real”:

Foram feitos os seguintes testes:

  1. PCMark10: Uma “run” customizada apenas com o subteste “App Start-Up Score”, que basicamente mede o tempo de carregamento de uma série de aplicações de produtividade como OpenOffice, GIMP, Chromium e Firefox tanto para partida “fria”, que é a primeira vez que o aplicativo é aberto e uma segunda partida “quente”, que é após a “fria” e normalmente é mais rápida por conta do sistema já ter armazenado muita coisa em cache. Ao fim, ele retorna uma pontuação que pode ser usada para comparar diferentes SSDs.
  2. FINAL FANTASY XIV: Shadowbringers Benchmark: Esse teste inclui além dos resultados gráficos, os tempos de loading de cada cena, o que é interessante, pois essa ferramenta dispensa o uso de um cronômetro externo, que seria uma fonte de “imprecisão” nos resultados.
  3. DiskBench: Essa ferramenta permite mover um arquivo ou pasta de um lugar para o outro e salvar o tempo que levou para isso assim como a taxa de transferência média, no caso, visando simular uma situação de uso real fazendo backup da pasta de instalação de um jogo, foi escolhido a do SOTTR da Steam que possui “apenas” 34 GB e foi copiada dentro da mesma unidade, em outras palavras, foi feito uma cópia do ‘G:\SOTTR’ para o ‘G:\Diskbench’.

Repetindo o fraco desempenho das unidades equipadas com a controladora da Yeestor, o Somnambulist acabou na lanterna em todos os testes com a exceção do Diskbench, onde ele apresentou resultado similar a outros SSDs SATA “Dram-Less” equipados com NANDs 3D TLC, com média de pouco mais de 45 MB/s.

  • Benchmarks sintéticos:

Antes de apresentar os resultados nos benchmarks sintéticos, é necessário esclarecer que os fabricantes de SSD de forma geral costumam rotular as especificações de seus SSDs usando escrita/leitura sequencial como parâmetro, entretanto, mesmo que se trabalhe com arquivos grandes, toda vez que você abre uma aplicação, o SO também acessa diversas DLLs que são necessárias para o funcionamento desse programa, sendo que essas costumam ser pequenas em tamanho e correspondem a leituras/escritas aleatórias em arquivos de até 16 KB.

Em outras palavras, se o seu uso para o PC for algo como navegar na internet, ouvir música ou mesmo jogar, deve-se prestar muita atenção nos resultados de leituras/escritas aleatórias até 16 KB, pois essa é a operação que você mais utiliza, portanto, com maior impacto no “uso real”.

Caso alguém tenha interesse em verificar em tempo real essas operações, sugiro utilizar o software DiskMon, que é uma ferramenta gratuita disponibilizada pela Microsoft que monitora essas operações e permite a gravação de log para posterior análise dos dados. Também recomendo a leitura desse excelente artigo do pessoal do thessdreview, que aborda justamente essa questão.

A respeito dos benchmarks sintéticos, foram utilizados os seguintes softwares:

  1. Crystalmark 7.0.0 x64: Esse benchmark usa dados aleatórios, faz testes de leitura/escrita sequenciais e em blocos de até 4KB. Também é importante frisar que os resultados aqui apresentados não são de todo comparáveis com as versões anteriores do Crystalmark, o que exige cautela na hora de se fazer comparações.
  2. Anvil Storage Utilities: Esse software faz uma série de testes de leitura/escrita e retorna os resultados em termos do IOPS (operações de entrada/saída por segundo), tempo de resposta, MB lidos/escritos, MB/s e uma pontuação geral que pode para ser comparado com outros SSDs. Ele também permite ajustar o tipo de dado a ser utilizado, sendo que os resultados aqui utilizados se referem a configuração padrão do software (dados 100% incompressíveis e arquivo de testes de 1 GB).
  3. Iometer 1.1.0: Para tentar identificar a proporção do disco alocado para “SLC Cache”, foi utilizado o Iometer configurado para fazer 100% de escritas sequenciais, o que na maior parte dos casos deve ser suficiente para descobrir como o fabricante configurou o “SLC Cache” da unidade e caso não seja, o software oferece flexibilidade nos ajustes para se tentar outras configurações.

Nos benchmarks sintéticos, novamente, os números obtidos foram bastante modestos, com o Somnambulist novamente amargando o último lugar, com quase 200 pontos a menos do que a unidade da Weijinto, que usa NANDs 3D QLC, com especial destaque ao baixo desempenho de leitura nessa unidade.

Agora no Iometer, é possível ver que o “SLC Cache” cobriu 82 GB, o que é razoável para uma unidade de 240 GB, apresentando desempenho máximo nessa situação, com uma taxa de transferência média de 426 MB/s, enquanto a velocidade nativa das NANDs, ou seja, a média que compreende todo o intervalo sem influência do SLC Cache (82 GB até 240 GB) foi algo próximo dos 41 MB/s, o que novamente, é algo modesto para memórias 3D TLC.

  • Conclusão:

Diantes dos testes e resultados apresentados, foi possível chegar nos seguintes pontos:

O Somnambulist 240 GB apresentou números de desempenho que sendo extremamente otimista, poderiam ser considerados “modestos”, ficando na lanterna em praticamente todos os testes, com a exceção do Diskbench, onde ele ficou “na média” com outras unidades “DRAM Less” baratas equipadas com memórias 3D TLC, ainda que isso não seja exatamente bom.

Em relação ao preço, nesse momento (11/2/2022) o Somnambulist 240 GB pode ser adquirido por US$19 (cerca de R$106, com frete grátis) nessa loja no AliExpress, o que apesar de ser um valor baixo, é possível encontrar unidades SATA de mesma capacidade e desempenho superior por um preço simbolicamente maior, o que seria um negócio muito melhor do que essa unidade “sonambula”, o qual talvez seja mais um bom exemplo daquela máxima: “O barato sai caro”.

Por fim, outro ponto que é importante se atentar são os possíveis problemas que podem ocorrer na compra de produtos importados como esse: possibilidade de a mercadoria ser taxada, demora na entrega e apesar do fabricante oferecer garantia de 3 anos, sabe-se lá como é esse procedimento com os possíveis custos com frete internacional.

E por hoje é só! Dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima!

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