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Apresentando a ASUS Rampage Extreme X48 – O lendário socket 775 – Parte I

Certamente muitos aqui devem ter vivido a era do socket 775, o qual certamente foi uma das plataformas mais longevas da história, com inúmeras CPUs lançadas, diferentes chipsets, os quais poderiam ser fabricados por outras empresas além da Intel, vivenciando transições como a do "AGP" para o "PCI Express" e tendo passado por ao menos três padrões de memória diferentes, no caso, DDR, DDR2 e DDR3... Continue lendo!

Fala pessoal, beleza?

Certamente muitos aqui devem ter vivido a era do socket 775, o qual certamente foi uma das plataformas mais longevas da história, com inúmeras CPUs lançadas, diferentes chipsets, os quais poderiam ser fabricados por outras empresas além da Intel, vivenciando transições como a do “AGP” para o “PCI Express” e tendo passado por ao menos três padrões de memória diferentes, no caso, DDR, DDR2 e DDR3.

Com toda essa bagagem, é inevitável que até hoje, muita gente guarde certa nostalgia desses bons tempos, então, por que não reunir algumas CPUs que fizeram história nesse socket, juntamente com uma das melhores e mais desejadas placas-mãe dessa época? Pois, é exatamente esse o tema de uma série de artigos aqui na tOCP, onde no primeiro deles, irei lhes apresentar a placa-mãe, a ASUS Rampage Extreme!

Antes de destrincharmos a placa e justificar o porque dela ser uma lenda, é importante lembrar que a ASUS Rampage Extreme custava cerca de 425 DÓLARES em seu lançamento, lá em 2008, o que equivale ao preço de uma Maximus Z690 Apex em valores atualizados, fazendo dela um dos modelos mais sofisticados de sua era.

Apesar de, infelizmente, não dispor da caixa dessas placas, o kit de acessórios incluía “fittings” e adaptadores para o bloco do chipset, uma placa de som SupremeFX X-Fi Audio, diferentes conjuntos de dissipadores auxiliares e até mesmo um fan blower para ajudar na refrigeração do VRM/Chipset.

Sobre a placa, ela usa PCB no padrão ATX convencional e apesar de já terem se passado 14 anos desde o seu lançamento, ela acabou envelhecendo bem, com o imponente sistema de refrigeração do VRM/Chipset em uma única peça com heatpipe de cobre, além do dissipador dedicado ao circuito de alimentação das memórias se destacando.

Nessa época, a Intel oferecia três linhas de chipset, a “X”, P” e “G”, onde a primeira era focada em um nicho mais entusiasta com placas-mãe mais sofisticadas, a segunda era a “Performance” para público mais geral, e a “G” com vídeo integrado, era a mais básica. Todos eles usam um esquema com dois “chipsets”, a ponte norte, que integrava controlador de memória, “PCI-E” e quando disponível, vídeo integrado, e a ponte sul ficava com a parte do I/O.

É pertinente lembrar que nessa época, a Intel ainda não havia feito a integração do controlador de memória diretamente na CPU, assim como do PCI-E, algo que só viria a realidade no Bloomfield e no Lynnfield, respectivamente, onde esse segundo enterrou de vez a ponte norte, integrando todas as suas funcionalidades no mesmo die do processador.

Sobre os chipsets da série “X”, especificamente do X38/X48, seu maior diferencial era o maior número de pistas PCI-E já usando o padrão 2.0, algo que na época, era novidade, onde o suporte a memórias DDR2 e DDR3 já vinham desde o P35, ainda que o controlador de memória DDR3 usado nos X38/X48 sejam mais capazes do ponto de vista das frequências.

Apenas para constar, como curiosidade, X38 e X48 são praticamente o mesmo chip, apenas com alguns pequenos tweaks no X48, onde ambos eram fabricados em 90 nm, enquanto o P45, já era 65 nm.

Já o ICH9R, ele oferece 6 portas SATA 3 Gbps com suporte a RAID, 12 portas USB 2.0 e mais seis pistas PCI-E 1x.

Sobre a Rampage Extreme, ela usa o chipset X48+ICH9R, o que, como dito anteriormente, garante o suporte a dois slots PCI-E 16x 2.0, seis portas SATA 2.0 controladas pelo ICH9R e duas “externas”, com bônus para uma porta PATA IDE usando um controlador externo e uma série de botões que permitem ao usuário fazer até mesmo overclock por ali.

Já no painel traseiro, são seis portas USB 2.0, além do finado padrão eSATA, duas LAN Ethernet, uma PS/2 e um botão clearcmos, onde a função do som integrado vinha através de uma placa PCI-E, que como dito, acompanhava o pacote.

Ao desmontar a placa, vemos que o seu sistema de refrigeração é composto de uma peça interiça ligada por heatpipes de cobre, a qual é responsável por manter as temperaturas do VRM e chipset em dia, parecendo algo um pouco exagerado para os padrões modernos, porém, cabe lembrar que só o TDP da ponte norte é de cerca de 30W, o que certamente requer um sistema de refrigeração razoável para manter a temperatura em dia.

Além disso, um detalhe muito interessante é que a ASUS fez algo meio que modular, oferecendo alguns “elementos” de dissipação como acessório da placa, os quais podem ser montados no dissipador usando pasta térmica e parafusos como meio de fixação, onde dentre esses elementos, estão inclusos um conjunto com aletas e heatpipe para o VRM, outro para o X48 e até mesmo, um bloco de water cooler!

Exigir um sistema desses hoje em dia seria algo meio que absurdo, afinal, o preço do cobre 14 anos atrás era outro, assim como a dissipação de calor dos componentes envolvidos, porém, as leis da física continuam as mesmas, de forma que seria realmente apreciável voltar a ver os fabricantes usando dissipadores de verdade em suas placas-mãe, não necessariamente com peças complexas com heatpipes, mas usando aletas “sérias” como é na Rampage Extreme. 😉

Sobre o VRM, a ASUS optou por usar um arranjo com 16 fases, onde, evidentemente, foram utilizados “doublers” para se obter essas fases, afinal, controladores PWM para esse uso com esse número de fases, é algo que só se tornou realidade recentemente.

Foram utilizados controladores ASP0800 e ASP0801, onde o primeiro é fabricado pela ONSemi e suporta até oito fases com frequência de chaveamento de até 1 MHz, enquanto sobre o ASP0801, não existem informações a seu respeito, exceto alguns reviews da época dizendo que cada um desses chips era responsável por controlar quatro fases, com “doublers” fazendo o resto do trabalho, o que hoje não faz muito sentido, especialmente após saber que o ASP0800 consegue controlar até oito fases, uma informação que não existia publicamente na época.

Sobre os componentes utilizados, a ASUS optou por usar um NXP PH9025L de alta e um NXP PH5525L de baixa em cada fase, onde o 9025L suporta uma corrente máxima de 48A @ 100 °C, com Tr de 39ns e Tf de 15ns, enquanto o PH5525L tem rds(on) de 5.5mΩ. Esses números não parecem ser lá muito brilhantes para 2022, porém, é necessário lembrar que esses mosfets são de 2006~2007 e ainda sim, conseguem ser tão bons ou até melhores que vários mosfets discretos usados em placas B450 e B550 modernas, o que não está nada mal para uma placa fabricada 14 anos atrás!

No que diz respeito a dissipação de calor desse conjunto, considerando uma frequência de chaveamento de 300 KHz (600 KHz no controlador), Vgs de 4.5V e tensão de saída de 1.4V, para uma carga de 100A, ele deve dissipar cerca de 16,4W, o que é perfeitamente aceitável para uma placa dessa idade e com o sistema de refrigeração utilizado.

Muitos já devem ter percebido que essa placa estava entre o que havia de melhor na época, com algumas qualidades que faltam até mesmo em placas mais modernas, porém, nem tudo são flores e toda essa sofisticação tem um preço: a durabilidade.

A Rampage Extreme também é famosa por alguns componentes que costumam apresentar problemas com o tempo, no caso, uma dessas fontes de dores de cabeça são os capacitores Fujitsu Super ML de 1000 uF 3V, os quais são utilizados no VRM das memórias, chipset e processador.

O grande problema desses capacitores é que quanto maior a tensão de operação, mais rápido a sua vida útil vai embora, claro, isso ainda respeitando o seu limite dos 3V, o que significa que em um mundo cujas DDR3 trabalhavam com tensão acima dos 2V e chipset além de 1.5V, esses componentes acabavam degradando e “morrendo”, deixando a placa em curto.

Felizmente, quando isso acontece, é possível substituí-los por capacitores de polímero sólido SMD modernos, os quais dão conta do recado sem maiores problemas, onde abaixo, é possível ver fotos de tal reparo, feito em uma das Rampage Extreme que tenho em mãos, onde a placa funciona perfeitamente.

Um acessório que merece atenção especial é o “LCD Poster”, que é meio como se fosse um “debug led gourmet”, mostrando o status da placa, onde por meio daqueles botões localizados na parte inferior do PCB, permitem ao usuário alterar o FSB e até mesmo fazer overvolt completamente on-the-fly, vendo as mudanças na telinha!

Ficaram curiosos para ver essa placa em ação, inclusive, fazendo overclock usando o “LCD Poster” e os comandos placa? Fazer aquele tour pela BIOS da placa e ver resultados em refrigeração ambiente usando alguns CPUs “lendários”, como, por exemplo, um E8400 “binado” que roda benchmark @ 5 GHz na água ou talvez, o QX9770?

Então… Essas são cenas para os próximo capítulo, por ora, fiquem com a apresentação dessa incrível placa que é a Rampage Extreme, com um agradecimento ao Kona64, afinal, sem ele, esse artigo não teria virando realidade! Até a próxima! 😀

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5 comentários

  1. tenho um kit lendário desses.. passei anos atras de uma extreme, até que agora consegui.
    ta com o qx 9770 e 16gb de ram.. impressionante o quanto é linda e forte

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