Reviews, SSDs e armazenamento

[Review] SSD Crucial BX300 120GB

Fala galera, tudo de boas?

Nesse review vou analisar um SSD da linha de baixo custo da Crucial, chamada de BX300, onde são oferecidos modelos de 120GB, 240GB e 480GB com interface SATA e form-factor de 2.5”. 🙂

A embalagem tem design simples e funcional, trazendo as informações básicas como a capacidade e interface usada de forma clara, sendo suficientemente robusta para proteger o SSD contra os possíveis maus tratos que a peça pode ser submetida até chegar no consumidor.

Do conteúdo da caixa, temos o próprio SSD, um guia de instalação e um espaçador de 7mm para 9.5mm.

Sobre o SSD em si, a carcaça usa o mesmo grafismo encontrado na caixa e de resto, é semelhante a qualquer outro SSD 2.5” disponível no mercado. A Crucial optou por usar parafusos para fixação do “chassis” sendo esses localizados nas laterais, não possuindo qualquer tipo de etiqueta ou lacre, o que significa que é possível abrir o SSD sem violar a garantia do fabricante. 🙂

O PCB do BX300 é compacto e nele podemos ver a controladora SM2258H, um chip de memória Micron D9PTK e quatro chips de memória NAND Micron com código NW911.

Sobre a SM2258H, trata-se de uma controladora de alta performance para SSDs SATA, fabricada pela Silicon Motion e que oferece suporte a diversos tipos de NAND (a saber: TLC planar, 3D TLC e 3D MLC), DRAM Caching por meio de um controlador de memória integrado de 16-bits e que no caso do BX300, está ligado a esse CI Micron D9PTK, que trata-se de uma memória DDR3L-1600 de 2Gb (256MB).

Com relação as memórias NAND adotadas, a Crucial optou por usar memórias 3D MLC de 256Gb (32GB por CI) nesse SSD, perfazendo um total de 128GB, sendo que desse total, 8GB são utilizados pela controladora para o “overprovisioning”, “garbage collection” entre outros mecanismos que visam aumentar a vida útil do SSD diminuindo o número de leituras/escritas nas memórias NAND.

Ainda sobre as NAND, essa escolha foi uma grata surpresa pois ainda que as 3D TLC atuais estejam em um patamar bastante aceitável de performance e endurance (vida útil basicamente), as 3D MLC são superiores nesses dois aspectos e definitivamente não esperava encontrar esse tipo de memória sendo usada em um SSD de baixo custo.

Por fim, eis o link para a página com as especificações do produto: http://www.crucial.com/usa/en/storage-ssd-bx300

Vamos aos testes então! Para isso usei a seguinte configuração:

CPU: AMD Ryzen 5 2600X (obrigado AMD!)

MOBO: ASUS ROG Crosshair VII Hero

RAM: 2x8GB G.Skill Flare X 3200 CL14 (obrigado AMD!)

PSU: Antec Quattro 1200W

COOLER: WC Custom

SSD: Crucial BX300 120GB

Software: Windows 10 x64, ATTO Disk Benchmark 3.05,  Anvil Storage Utilities, Crystalmark 6.0.1 x64.

Objetivo dos testes: Aferir o desempenho do SSD em diversos benchmarks que simulam diferentes condições de uso. Nesses testes, o SO está instalado no SSD, o que significa que os os resultados poderiam ser um pouco melhores caso tivesse instalado o SO em outro disco e passado o benchmark no SSD “zerado”, entretanto, a ideia aqui é apresentar resultados que sejam compatíveis com uma situação de uso real.

Antes de irmos aos resultados, cabe uma pequena explanação sobre a sua interpretação e o seu impacto no uso do sistema. 🙂

Os fabricantes de SSD de forma geral costumam rotular as especificações de seus SSDs usando escrita/leitura sequencial como parâmetro, entretanto, mesmo que você trabalhe com arquivos grandes, toda vez que você abre uma aplicação, o SO também acessa diversas DLLs que são necessárias para o funcionamento desse programa, sendo que essas DLLs costumam ser pequenas em tamanho e correspondem a leituras/escritas aleatórias em arquivos de até 16KB. Em outras palavras, se o seu uso para o PC for algo como navegar na internet, ouvir música ou mesmo jogar, deve-se prestar muita atenção nos resultados de leituras/escritas aleatórias até 16KB pois essa é a operação que você mais utiliza e portanto, com maior impacto no “uso real”.

Caso alguém tenha interesse em verificar em tempo real essas operações, sugiro utilizar o software DiskMon, que é uma ferramenta gratuita disponibilizada pela Microsoft que monitora em tempo real essas operações e permite a gravação de log para posterior análise dos dados. Também recomendo a leitura desse excelente artigo do pessoal do thessdreview, que aborda justamente essa questão.

Mais explicações acerca dos testes conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

Resultados:

Primeiramente o ATTO Disk Benchmark que é o software que diversos fabricantes adotam como referência para rotular as taxas de leitura/escrita de seus SSDs pois o mesmo usa apenas dados compressíveis nos testes, o que explica as diferenças que costumam aparecer nos resultados em relação a outros benchmarks que usam dados aleatórios (compressíveis + incompressíveis) nas medições, sendo essa ultima uma situação mais próxima do uso real. As especificações dizem que esse modelo faz até 555MB/s de leitura e até 510MB/s de escrita, vejamos então:

Na prática o BX300 atingiu 562MB/s de leitura e 518MB/s de escrita sequenciais, o que supera o rotulado para ambas especificações. 🙂

O próximo benchmark é o Crystalmark, rodei o mesmo usando um arquivo de testes de 100MB e 1000MB. Diferentemente do ATTO, esse benchmark usa dados aleatórios, o que explica a diferença nos resultados entre as duas ferramentas. Também é importante frisar que os resultados aqui apresentados não são de todo comparáveis com as versões anteriores do Crystalmark, o que exige cautela na hora de se fazer comparações.

O BX300 foi superior ao Kingspec Q-90 que testei anteriormente especialmente no que diz respeito as leituras de forma geral, algo que já era esperado dado as diferenças construtivas entre os dois dispositivos.

Agora no Anvil Storage Utilities, que é um benchmark que faz uma serie de testes de leitura/escrita e da os resultados em termos do IOPS (operações de entrada/saída por segundo), tempo de resposta, MB lidos/escritos, MB/s e uma pontuação geral que pode para ser comparado com outros SSDs. Ele também permite ajustar o tipo de dado a ser utilizado, sendo que o resultado abaixo se refere a configuração padrão do software (dados 100% incompressíveis e arquivo de testes de 1GB).

Nessas condições, o Crucial BX300 fez 4932.68 pts no total, o que é um resultado excelente para um SSD SATA, sendo muito superior aos outros dispositivos que testei aqui na página!

Conclusão:

O Crucial BX300 correspondeu as expectativas no que diz respeito ao desempenho e entregou números de performance extremamente sólidos, os quais posso creditar ao uso da controladora com DRAM Cache e as memórias 3D MLC, algo bem raro de ser encontrado em modelos de entrada como esse.

No tocante ao preço, ele pode ser encontrado no mercado brasileiro por pouco mais de R$160, o que faz desse SSD um excelente custo-benefício (o famoso “CxB”) e uma ótima opção para substituir o HD na instalação do SO, melhorando drasticamente a usabilidade da máquina!

E é isso! Dúvidas, perguntas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima. 🙂

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