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[Review] Biostar Z490A-SILVER – Análise, testes e resultados

Nesse review irei analisar uma placa-mãe da Biostar, a Z490A-SILVER, que como o nome já diz, trata-se de um modelo da série "Silver" usando o chipset Z490 e socket LGA1200, onde a placa em questão é construída no padrão ATX, possuí quatro slots de memória, duas portas M.2 e suporte aos processadores “Rocket Lake” de 11.º geração após atualização de bios... Continue lendo!

Fala pessoal, beleza?

Nesse review irei analisar uma placa-mãe da Biostar, a Z490A-SILVER, que como o nome já diz, trata-se de um modelo da série “Silver” usando o chipset Z490 e socket LGA1200, onde a placa em questão é construída no padrão ATX, possuí quatro slots de memória, duas portas M.2 e suporte aos processadores “Rocket Lake” de 11.º geração após atualização de bios.

Em relação à caixa, na parte da frente uma textura imitando aço escovado com “RGB”, enquanto na parte de trás, temos as especificações e destaque para recursos como os conectores de força reforçados, M.2 com suporte a dispositivos NVMe, fan header adequado para ligação de bombas dos AIOs e RGB.

Do kit de acessórios que acompanha a placa, temos o espelho traseiro, DVD com drivers, quatro cabos SATA e manual.

Como o próprio nome da placa sugere, os dissipadores utilizados são prateados, PCB preto com grafismos brancos, sem iluminação RGB em qualquer parte, resultando em um visual até que sóbrio para os padrões atuais.

Sobre o layout da placa, o fabricante fez um bom trabalho, posicionando uma M.2 acima do slot PCI-E primário e a outra abaixo do secundário, portas SATA localizadas na lateral da placa, fan headers distribuídos de maneira satisfatória, porém, ainda seria interessante ter um localizado próximo ao espelho traseiro e slots de memória posicionados a uma distância razoável do slot PCI-E.

Falando especificamente das M.2, ambas oferecem suporte a PCI-E 3.0 com 4 pistas, ou seja, aceitam SSDs NVMe, Optane e SATA, porém, é necessário observar que se estiver usando uma unidade SATA M.2 no slot M2M_32G_1, a porta SATA_3U não poderá ser utilizada, o que também vale para a outra M.2, porém, em relação à porta SATA_3L.

Relativo ao codec de áudio utilizado, é o Realtek ALC1150, onde ele é montado em uma camada isolada do PCB, porém, com poucos capacitores para filtragem do áudio e sem escudo EMI , enquanto a LAN, é a Intel I219-V.

Sobre o espelho traseiro são quatro portas USB 3.2 Gen1, duas USB 2.0, duas ‘PS/2’ (teclado e mouse), LAN, saídas de vídeo Display Port/HDMI/VGA e painel de som básico com três jacks.

Esse painel é um tanto quanto “excêntrico” para uma placa moderna, afinal, atualmente costuma-se usar apenas uma porta PS/2 compatível tanto com teclado/mouse e painel de som completo em placas baseadas em um codec um pouco melhor, como o adotado nesse modelo.

Em relação ao conjunto de dissipadores, a Biostar adotou robustos dissipadores de alumínio para o VRM, contudo, apesar deles apresentarem serem massivos o suficiente, não apresentam muitas aletas, o que acaba impactando diretamente na sua capacidade de trocar calor com o ambiente, prejudicando o desempenho.

A respeito do VRM, trata-se de um arranjo de 12+2 (VCORE+IGPU) fases usando o controlador NCP81229, usando doublers para chegar a esse número, afinal, essa controladora suporta nativamente apenas 8+1 fases, o que também significa que ele está operando com 6+1 fases.

Os mosfets utilizados são os OnSemi 4C029N (high side) e 4C028N (low side), onde os 4C029N suportam uma corrente máxima de 34A @ 80 °C e possuem um Tr (tempo de subida) de 26ns e Tf (tempo de queda) de 4ns, o que é até razoável, entretanto, os 4C029N apresentam rds(on) @ Vgs = 10V de 4.73mΩ, o que acaba sendo bem ruim, afinal de contas, o fabricante optou por usar apenas um mosfet de baixa por fase, o que deve ter impacto considerável na eficiência desse VRM.

No que diz respeito a dissipação de calor das fases do Vcore, considerando uma frequência de chaveamento de 300KHz, Vgs de 10V e tensão de saída de 1.3V, para uma carga de 100A (i5 11400F com MCE ativado) ele deve dissipar cerca de 12.71W, com 150A (i5 11600K com MCE) cerca de 20,75W e por fim, 200A (i7 11700K com MCE Ativado ou overclock) 30.8W.

Esses números deixam bem evidente que o número de fases não é tudo, pois ainda que esse VRM não apresente dificuldades para levar um i5 11400F com MCE ativado, porém, é provavel que apresente problemas de throttling por conta da temperatura, isso se o fabricante tiver implementado essa proteção, ao usar processadores cuja corrente demandada seja maior.

Sobre a UEFI, a Biostar usa a mesma interface “soviética” comum as demais placas do fabricante que foram testadas aqui no site e a respeito dos ajustes, ao menos usando um processador “Rocket Lake”, faltam uma série de opções como o Gear Mode e o VCCIO_M, o que certamente deve ter impactos na capacidade de overclock de memória enquanto usando essas CPUs. A opção que ativa/desativa o MCE nessa placa é chamada de “BIOSTAR Core Speed Intensity”.

No que diz respeito aos ajustes de tensão principais, o ‘CPU Core Voltage’ no modo “override” permite aplicar até 2.1V, o VCCIO (não confundir com VCCIO_M) vai até 1.5V, o VCCSA até 1.7V, o PCH até 1.4V, o ajuste de tensão das memórias (DDR Voltage) vai até 2.2V e, além disso, essa placa possui ajustes de frequência de chaveamento do VRM, o qual vai até 450 KHz.

Estritamente do ponto de vista da BIOS, esses valores são adequados para uma placa dessa categoria, porém, se a ideia é partir para overclock mais extremo, ela não é uma opção, afinal, faltam ajustes de tensão da PLL, importantíssimo para lidar com o coldbug, VCCIO_M e Gear Mode.

Caso alguém tenha interesse, segue o link para site do fabricante, onde consta as especificações do produto. Vamos então às configurações utilizadas e resultados!

  • Configurações utilizadas:

CPU: Intel Core i7 11700K / Core i7 10700 e Core i5 11400F (Obrigado Terabyteshop!)

MOBO: BIOSTAR Z490A-SILVER (BIOS: Z49CF428.BST – Obrigado Terabyteshop!)

VGA: GIGABYTE RX 5500 XT 8GB (Obrigado Terabyteshop!)

RAM: 2x8GB DDR4 G.Skill Flare X 3200CL14 / 2x8GB Crucial Ballistix LT 3200 CL16 / 2x16GB G.Skill TridentZ Neo

REFRIGERAÇÃO: XPG Levante 240mm (Obrigado XPG!)

SSD: Netac N530S 240GB

EQUIPAMENTOS EXTRAS: Termômetro digital GM1312 e FLIR One LT

Software utilizado: Windows 10 x64 build 21H1, Geekbench 3.4.2, AIDA 6.33.5700, TechPowerUp Mem Test64 1.0 e Blender 2.90.1

  • Objetivo dos testes:

O objetivo desse artigo é verificar o quão bem a Biostar Z490A-SILVER se sai naquilo que diz respeito a overclock de memóriam além de testar a ‘performance’ térmica da placa em condições de estresse usando o i7 11700K.

Explicações acerca da metodologia adotada ou de como os testes foram conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

  • Resultados – Frequência das memórias:

O primeiro passo aqui foi testar os limites da Biostar Z490A-SILVER no overclock de memória em um cenário de uso diário com diferentes kits de memória, a princípio usando o i7 11700K e posteriormente com o i7 10700. A ideia é testar como a placa se sai com “Rocket Lake”, considerando as limitações imposta pela falta do ajuste de tensão do VCCIO_M e do Gear Mode, sendo esse um ajuste que foi implementado nessa última geração, bastante similar aos 1:1 e 1:2 dos Ryzen, onde no modo “Gear 1”, a controladora trabalha na mesma frequência das memórias e no “Gear 2”, a sua frequência cai pela metade e por fim, também ver como ela se sai com um processador de geração anterior, a qual ela foi originalmente projetada para trabalhar.

Sobre os resultados obtidos, com o i7 11700K, a Z490A-SILVER apresentou dificuldades para subir além dos 3466MHz independente da memória utilizada ou do ajuste feito, seja XMP ou manual, o que além de decepcionante é um claro indicativo de que o fabricante precisa dar uma “afinada” melhor no suporte aos “Rocket Lake”.

Já com o i7 10700, foi possível atingir 3866MHz com timings primários e secundários razoavelmente otimizados usando o kit Samsung B-Die “Single Rank” com pcb A0, conforme pode ser visto na captura de tela acima, porém, com o kit B-Die “Dual Rank”, cujo padrão é de 3600 16-16-16-36, ao se ativar o XMP, a placa subia o sistema com os timings corretos, mas com frequência em 3333 MHz, falhando no post ao setar 3600MHz manualmente, novamente um resultado aquém do esperado.

VRM e temperatura de operação:

Para checagem da temperatura do VRM, foi instalado um termopar tipo K com um thermalpad grudento na parte de trás da placa, conforme mostra a foto abaixo. Esse modelo possui sensor de temperatura no VRM.

Foi utilizado o Blender renderizando a demonstração “Classroom” por meia hora usando o HWiNFO para monitorar/ gravar o log dos “sinais vitais” do sistema durante o teste e ao fim, tomar nota tanto da temperatura ambiente quanto do termopar instalado na placa.

Foram testados dois cenários distintos usando o i5 11400F:

  1. MCE desativado, ou seja, com a CPU respeitando os limites de TDP e consumo – “Package Power” média apresentada pela telemetria da CPU: 65.35W.
  2. MCE ativado, ou seja, com a CPU livre do limite de TDP e consumo – “Package Power” média apresentada pela telemetria da CPU: 100W.

No gráfico dos resultados, o valor apresentado é o delta T (ΔT), que se trata da diferença entre a temperatura da CPU (no caso) e a ambiente, retirando assim esse ultimo fator da jogada e foi feito assim por conta do ambiente no momento dos testes ter sido diferente entre as rodadas.

É importante salientar que esses testes foram realizados em bancada aberta e que a “temperatura ambiente” dentro de um gabinete costuma ser algo maior, a depender do hardware utilizado, projeto de ventilação do case e da própria temperatura da sala onde o computador está localizado.

Como era de se esperar pela análise “teórica” do VRM no início do artigo, a Z490A-SILVER definitivamente não foi bem no que diz respeito ao desempenho térmico do VRM, apresentando throttling, que ocorre quando o VRM atinge os 90 °C, com o i5 11400F com MCE ativado, necessitando de uma ventoinha soprando no VRM para resolver esse problema, o que é um pouco “constrangedor”, afinal de contas, esse é um modelo com multiplicador travado, onde as possibilidades de overclock são limitadíssimas e a placa em questão utiliza chipset Z490, cujo diferencial consiste justamente na possibilidade de fazer overclock na CPU.

Com o i7 11700K, a situação foi ainda pior, apresentando throttling no Cinebench R20 com MCE desativado, o que é um claro indicativo de que essa placa-mãe é inadequada para essa CPU, limitando consideravelmente o seu desempenho, resultado em algo na casa dos 4500 pontos no teste “multithread” enquanto o normal seria algo entre 5000 e 5200 e infelizmente, no caso do i7, colocar uma ventoinha soprando no VRM foi inútil, o que denota que o dissipador utilizado e até mesmo o PCB são insuficientes para dar conta dos mais de 20W dissipados pelo VRM enquanto usando essa CPU.

Conclusão:

Do ponto de vista de layout, qualidade e recursos oferecidos, a Biostar Z490A-SILVER é bem aceitável: O número de “FAN headers” disponíveis é minimamente razoável, as M.2 estão bem posicionadas com ambas oferecem suporte a dispositivos NVMe e por fim, os codecs de áudio/lan integrados são aceitáveis, apesar do resultado depender de como eles foram implementados. No que diz respeito aos dissipadores do VRM, eles têm massa, porém, poucas aletas para troca de calor com o ambiente, o que compromete a sua eficácia.

No que diz respeito ao overclock de memória, usando o i7 11700K, a placa ficou limitada a apenas 3466MHz independente da memória utilizada, o que provavelmente deve ter relação com a falta de ajustes básicos como seleção do “Gear Mode” ou outras questões relativas à implementação do suporte aos “Rocket Lake”, porém, com o i7 10700, foi possível obter 3866MHz com estabilidade usando o kit Samsung B-Die “Single Rank”, contudo, com o “Dual Rank”, a placa apresentou comportamento um pouco estranho ao ativar o XMP, aplicando frequência de 3333 MHz ao invés de 3600 MHz, o qual é o padrão desse kit, de todo modo, não foi possível de se obter esses 3600 MHz nem mesmo após o ajuste manual. Ao fim dessas experiências, foi possível concluir que overclock e compatibilidade de memória definitivamente não são pontos fortes dessa placa-mãe

Sobre o VRM, a solução de 12+2 fases não apresentou bom desempenho nos testes, apresentando throttling no Blender ao usar um simples i5 11400F com MCE ligado, algo que vem ativado por padrão nessa placa-mãe, necessitando de uma ventoinha soprando na região para resolver isso. Já com o i7 11700K, a situação foi muito mais dramática, com a placa apresentando throttling já no Cinebench R20 com o MCE desativado na BIOS, o que definitivamente é um resultado ruim, porém,de certo modo já esperado, vide os números teóricos para dissipação de calor apresentados por esse VRM.

Em relação ao valor, nesse exato momento (20/8/2021) a Biostar Z490A-SILVER se encontra indisponível na Terabyteshop, porém, seu último preço foi R$1449,00, o que talvez fosse um valor até razoável pelos recursos disponíveis e o chipset Z490, porém, injustificável diante dos números apresentados, sendo essa uma placa-mãe que permite overclock, porém, com um VRM que não dá conta do recado, além do pobre suporte a memórias mais rápidas, com resultados, em geral, decepcionantes.

Então, se você não faz questão de overclock, existem opções com chipset B560 mais acessíveis e se você pretende fazer overclock, novamente, existem opções de Z490 muito mais capazes por preço semelhante, portanto, feitas todas essas considerações, não recomendo a aquisição desse modelo.

E por hoje é só! Dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima!

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2 comentários

  1. Excelente análise, algumas placas da Biostar vem bem interessantes, como a B450GT, já outras deixam a desejar. Não encontro análise de B550M-Silver em conta algum e é uma placa que aparentemente tem bons componentes. Não sei se um dia pode testar, mas seria bem legal. Abraço!

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