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[Review] Aerocool Mirage 5 – Bom desempenho ou apenas uma bela miragem?

esse review irei analisar o Aerocool Mirage 5, que se trata de um "air cooler" em torre, porém, com concepção um pouco diferente do normal, apresentando formato cilíndrico usando um rotor central ao invés de ventoinhas mais tradicionais. Essa é claramente uma solução um tanto quanto "fora da caixinha" e que permitiu ao fabricante produzir uma peça com visual bastante diferenciado, mas o desempenho, será que corresponde? É o que descobriremos nesse artigo... Continue lendo!

Fala pessoal, beleza?

Nesse review irei analisar o Aerocool Mirage 5, que se trata de um “air cooler” em torre, porém, com concepção um pouco diferente do normal, apresentando formato cilíndrico usando um rotor central ao invés de ventoinhas mais tradicionais. Essa é claramente uma solução um tanto quanto “fora da caixinha” e que permitiu ao fabricante produzir uma peça com visual bastante diferenciado, mas o desempenho, será que corresponde? É o que descobriremos nesse artigo! 🙂

A caixa do produto traz tanto na parte da frente quanto nas laterais fotos do produto, destacando o modelo, design tipo “espelho infinito com RGB”, base com 5 heatpipes de contato direto e compatibilidade com RGB das placas-mãe. Além disso, na parte traseira existe uma tabela com as especificações. Esse AIO possui compatibilidade com as plataformas LGA2066/LGA2011-V3/LGA2011/LGA1200/LGA11XX/LGA775 e AMx/FMx, ou seja, incompatível com os Alder Lake LGA1700.

Ao abrir a caixa, o produto vem protegido com espuma e acompanham o pacote, o Mirage 5, um guia de montagem e uma caixa com todos os acessórios necessários para instalação do produto, com ponto positivo do fabricante ter colocado rótulos nos pacotes, diferenciando as partes para plataformas Intel e AMD.

Como dito anteriormente, o maior diferencial do Mirage 5 é esse design cilíndrico “diferentão”, onde é possível ver no topo o tal do espelho infinito, a base com os cinco heatpipes de contato direto e a hélice do rotor interno, que “puxa” o ar pelo vão da base e elimina radialmente pelas aletas.

Das suas dimensões, ele possui 145 mm de altura, diâmetro de 100 mm e pesa cerca de 500g, o que é mais leve do que coolers como o Deepcool Gammaxx GTE que já passou aqui pelo site. A massa é um parâmetro bastante importante no desempenho de um dissipador, onde um modelo “leve” tende a ter mais dificuldades para lidar com grandes quantidades de calor, no nosso caso, uma CPU com TDP elevado ou com overclock, onde no caso do Mirage 5, a Aerocool o rotulou com TDP de até 150W.

Evidentemente, não é só a massa que determina o desempenho do dissipador, onde o material, número de aletas, design e fluxo de ar são outros parâmetros tão importantes quanto, veremos nos testes adiante como será o desempenho desse modelo.

O tal “espelho infinito” é, na verdade, composto pela tampa opaca encontrada na parte superior do dissipador, além de uma peça espelhada com o logo do fabricante e um anel plástico que une o espelho a outra peça. Logo abaixo, existe uma carenagem plástica que serve de base para os leds RGB e também para o rotor.

Falando especificamente desse último, ele usa um rolamento hidráulico e apresenta diâmetro de 60 mm com 45 mm de comprimento e segundo a Aerocool, trabalha em uma faixa de rotação que vai dos 1500 aos 3000 rpm, produzindo até 74,3 CFM de fluxo e 2,13 mm-H2O de pressão com ruído de até 30 dBA e MTBF de 60 000 horas. Um ponto negativo dessa solução é que em caso de falha, sua substituição é muito mais complicada do que em dissipadores que usam ventoinhas tradicionais, culminando, geralmente, na inutilização de todo o dissipador.

Por fim, é interessante observar a base com aletas logo acima, o que é algo compartilhado pela maior parte desses dissipadores que usam base de contato direto.

O processo de instalação do Mirage 5 é bastante simples e consiste em encaixar essas pecinhas metálicas no “backplate” e fixa-las com esses suportes plásticos que acompanham o cooler. É necessário destacar que os suportes pretos são para AMD e os amarelos, para Intel.

Após isso, basta parafusar os suportes metálicos nas laterais do dissipador, colocar o backplate, passar a pasta térmica, que, aliás, a Aerocool envia junto do produto e parafusar o dissipador no backplate, encerrando o processo de montagem, que como foi possível ver, é bastante simples e sem maiores dificuldades ou pontos negativos.

Abaixo é possível ver a qualidade do trabalho na base desse dissipador, a qual é suficientemente boa, apesar de não ser espelhada. Cabe a observação de que não é possível utilizar “metal liquido” com esse dissipador, afinal, ele ficaria em contato direto com a “base” de alumínio entre os heatpipes, o que ocasionaria na destruição do dissipador.

Por se tratar de uma base de contato direto, a aplicação da pasta térmica foi feita diretamente no dissipador, aplicando um filete em cada heatpipe, onde o resultado foi contato perfeito e boa distribuição da pasta térmica. Abaixo as fotos da aplicação usando a pasta térmica da Aerocool que acompanha o cooler:

Já aqui, fotos da aplicação de GD900, visando ter uma noção da qualidade do composto térmico que acompanha o Mirage 5.

As demais especificações do produto podem ser acessados diretamente no site do fabricantevamos então às configurações utilizadas e os resultados!

  • Configurações utilizadas:

CPU: AMD Ryzen 7 2700X (obrigado AMD!) / AMD Ryzen 5 5600X (obrigado Terabyteshop!)

MOBO: ASUS TUF X570-PLUS/BR (Obrigado Terabyteshop!)

RAM: 2x8GB Crucial Ballistix 3200 CL16 (Obrigado Terabyteshop!)

VGA: GIGABYTE RX 5500 XT (Obrigado Terabyteshop!)

STORAGE: SSD Sandisk 120GB

REFRIGERAÇÃO: Aerocool Mirage 5 (Obrigado Terabyteshop!)

Softwares utilizados: Windows 10 x64 21H1, HWiNFO64 v7.20 e Blender 3.01

EQUIPAMENTOS EXTRAS: Termômetro digital GM1312, UNI-T UT353

Objetivo dos testes: Verificar o desempenho do Aerocool Mirage 5 e da ‘interface’ térmica que acompanha o produto enquanto renderizando a animação “Classroom” no Blender por 30 minutos, tanto com a CPU em stock quanto em overclock. Maiores detalhes sobre os testes e a interpretação dos resultados podem ser encontrados nos textos a seguir.

  • Nivel de ruído:

Para realizar a medição de ruído, o UNI-T UT353 foi posicionado a cerca de 100 cm da bancada com as demais fans, excetuando-se os dos coolers e da fonte, desligados, afinal de contas, a ideia aqui é tentar “capturar” o ruído apenas do ‘item’ que está sendo testado, pois, o restante da configuração do leitor pode ser totalmente diferente do utilizado aqui, por exemplo, com ventoinhas diferentes, bombas de water cooler e por aí vai.

A unidade utilizada é o decibel, que se trata de uma unidade em escala logarítmica, em termos práticos, isso significa que o volume dobra de intensidade a cada 3dB, portanto, o dobro de 50dB não é 100 dB e sim 53 dB, entretanto, o ouvido humano apresenta a sensação de volume dobrado com um intervalo maior, entre 8 dBA e 10 dBA. De todo modo, apenas como referência, um ambiente silencioso como uma biblioteca apresenta nível de ruído na casa dos 30 dBA.

Antes é necessário esclarecer que o intuito aqui não é necessariamente fazer uma comparação direta com os “Water Cooler AIO”, eles figuram nos gráficos simplesmente por serem os únicos modelos testados exatamente com a mesma metodologia empregada nesse teste, portanto, conforme mais sistemas de refrigeração forem testados, eles serão adicionados aos gráficos.

Com as ventoinhas e bomba operando em sua rotação máxima, o Mirage 5 se mostrou um pouco ruidoso, ficando na casa dos 41 dBA, o que se não dá para se considerar exatamente silencioso, ainda que nesse quesito ele seja superior ao Wraith Prism no modo L e surpreendentemente, o XPG Levante 240, ao menos com ele operando com as ventoinhas em rotação máxima.

  • Desempenho:

Para os testes de desempenho, foram incluídos resultados utilizando a ‘interface’ térmica original e outro usando a pasta térmica GD900. O Wraith Prism foi testado apenas com a GD900. A rotação das ventoinhas foi aplicada em 100% para ambos os casos, com a chave seletora do Prism no “L”.

Nos testes em stock, foram utilizados tanto o R7 2700X quanto o R5 5600X, já com overclock, foi utilizado o R5 5600X @ 4.5GHz 1.2875V LLC 3 e VDDSOC 1.000V com memória configurada em 3200MHz XMP. O motivo para ainda se usar o R7 2700X é que a densidade térmica aliada a pequena área de dos CCDs dos Ryzen baseados em chiplets, torna mais difícil a retirar calor desses dies, contribuindo para uma maior temperatura de operação mesmo considerando o menor consumo desses processadores, algo que costuma ficar mais evidente nos modelos que usam o CCD completamente ativado, como o 5800X e o 5950X, de todo modo, dado a popularidade dos Ryzen 5 5600X, ele foi incluído nesse e em futuros comparativos, onde claramente o R7 5800X teria sido uma melhor opção caso a ideia fosse demonstrar essa questão da densidade térmica.

No gráfico dos resultados, os valores apresentados são o delta T (ΔT), que se trata da diferença entre a temperatura da CPU e a ambiente, retirando assim esse ultimo fator da jogada.

Em ambos os casos, o Mirage 5 apresentou desempenho “bruto” um pouco inferior ao do Wraith Prism, apresentando uma diferença entre 1,2 °C e 4,46 °C dependendo do caso, o que implica que muito provavelmente esses dois coolers devem ficar no empate técnico ao se normalizar o nível de ruído entre eles.

A falta de testes usando o R7 2700X em overclock se deu pelo simples motivo do teste falhar a cerca de 2 minutos após o início, com temperaturas batendo na casa dos 90 °C e a máquina reiniciando por essa mesma razão, o que significa que se for fazer overclock em um modelo “esquentado” como esse, é bom ir atrás de um cooler mais robusto, porém, se for usar em stock, o Mirage 5 deve dar conta do recado dos Ryzen com TDP de 105W, em geral.

No que diz respeito a ‘interface’ térmica que acompanha o produto, apresentou excelente desempenho, ficando virtualmente empatada com a GD900, o que é ótimo e denota que não existe a necessidade de investir em uma pasta térmica melhor para extrair todo desempenho que o produto tem a oferecer.

Conclusão:

Diante dos testes e resultados apresentados, foi possível chegar nos seguintes pontos:

A respeito da qualidade de construção, o Aerocool Mirage 5 apresenta ‘design’ e visual bastante diferente do normal, por exemplo, não usando ventoinhas convencionais e sim um rotor com hélice, o qual deve ter sido projetado especificamente para esse modelo. Não foi encontrado nada que desabone no que diz respeito a qualidade de construção, porém, é necessário deixar claro que caso o rotor falhe, muito provavelmente, o dissipador se tornará um peso de papel, algo que seria um problema em um dissipador do tipo torre convencional.

Do trabalho na base, o acabamento é decente, não apresentando irregularidades que costumam aparecer em alguns modelos com base de contato direto. Já o kit de montagem é de simples instalação e cumpre bem a sua função.

Sobre o nível de ruído, o produto acabou sendo um pouco ruidoso com as ventoinhas trabalhando em sua rotação máxima, apresentando nível de ruído de 40,8 dBA para um ambiente a 36 dBA, o que certamente se faz notório, contudo, é possível amenizar essa característica fazendo o ajuste fino da curva de rotação das fans, algo que de um jeito ou de outro, praticamente todas placas-mãe modernas permitem fazer, ainda que a custo de comprometer o desempenho.

No que concerne ao desempenho, o Aerocool Mirage 5 apresentou desempenho similar ao do Wraith Prism, sendo um pouco inferior a esse com ambos trabalhando em sua rotação máxima, no caso, o delta de temperatura ficou em 54,12 °C com o R7 2700X em stock, 26,67 °C com o R5 5600X em stock e 44,78 °C com esse ultimo processador trabalhando a 4.5GHz, o que implica que o seu limite esbarra nos Ryzen com TDP de 105W em stock, falhando em “segurar o rojão” ao se usar o R7 2700X com overclock.

Da pasta térmica que acompanha o produto, é excelente e pode ser usada sem medo de estar perdendo desempenho, o que também dispensa investimento adicional em outro composto térmico.

Relativo ao preço, o Aerocool Mirage 5 atualmente se encontra esgotado na Terabyteshop, porém, o último preço praticado foi de R$315.00, o que é algo um tanto quanto puxado diante do desempenho apresentado, custando virtualmente o mesmo que o Wraith Prism e mais do que outros modelos cujas especificações sugerem desempenho superior como “Water coolers AIO” e outros “air coolers”, porém, se você não está tão preocupado assim com esse aspecto e tem maior foco no visual diferenciado do produto, ai talvez ele seja interessante, afinal, sua aparência é seu maior atrativo, contudo, ainda sim, é necessário não ignorar as suas limitações e ver se ele vai atender aos seus propósitos antes de bater o martelo.

E por hoje é isso pessoal! Dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima!

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