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[Review] KLLISRE X79 (PlexHD X79 Turbo) rev1.03

Fala pessoal, tudo bom?

Nesse artigo, irei lhes apresentar a KLLISRE X79, também conhecida por PlexHD X79 Turbo, que se trata de uma placa-mãe de origem chinesa, em um formato que lembra o ATX e equipada com o socket LGA2011, portanto, destinada a uso com as CPUs “Sandy Bridge-E” e “Ivy Bridge-E”. Em termos dos recursos disponíveis, essa placa oferece seis portas SATA, NVMe, quatro slots de memória com suporte a memórias DDR3, PCI-E 3.0 e USB3.0.

Em relação à caixa, ela é de papelão sem pintura e faz apenas menção a marca “KLLISRE” com alguns caracteres chineses, não trazendo absolutamente nenhuma informação acerca do produto, porém, essa embalagem é bastante robusta e deve cumprir bem a sua função de proteger o seu conteúdo.

Além da placa mãe, acompanham o pacote o espelho traseiro, um cabo SATA e um adaptador plástico de LGA2011 para AM2/3/4.

Relativo ao visual, a KLLISRE optou por usar um PCB marrom escuro, slots laranja e dissipadores pretos, o que considero visualmente até que legal, não só por gostar dessa combinação de cores mas também por lembrar as antigas placas “SOC Force” que a GIGABYTE fazia, que eram bons produtos voltados a uso em overclock extremo e usavam cores parecidas. De todo modo, essa mesma placa-mãe também é vendida por outras marcas chinesas e pode ser encontrada com slots verdes, no caso, uma diferença meramente estética se ambas as placas forem da mesma revisão.

Sobre o layout, é necessário destacar que ela é “ATX”, porém, um pouco menor tanto na largura quanto no comprimento, entretanto, isso não representa um problema, afinal, de qualquer maneira é preciso um gabinete ATX para essa placa e nos demais aspectos, temos três “fan headers”, sendo um localizado próximo ao primeiro slot PCI-E e os dois na sua extremidade inferior, o que deixa um pouco a desejar, afinal de contas, será necessário usar adaptadores para ligar mais “fans”, botões on/off/reset e post code debug, o que é surpreendente, pois os fabricantes tradicionais costumam economizar nisso mesmo em modelos bem mais sofisticados, portas SATA nas laterais da placa, NVMe abaixo do primeiro PCI-E, o que requer atenção com a temperatura do SSD caso esteja utilizando uma VGA que desligue os “fans” em idle e por fim, um conector PCI-E 6-pinos cujo uso não é obrigatório e está ali pensando em configurações com Crossfire/SLI, o que é bastante incomum hoje em dia.

Falando especificamente das M.2, a primeira porta é provida pela CPU e oferece suporte a quatro lanes PCI-E 4.0 e suporta NVMe, algo que era inexistente na época em que esses processadores estavam em linha. Das portas SATA, são seis e duas delas são 6Gbps e as outras quatro são 3Gbps, no entanto, isso pode variar com o ‘chipset’ utilizado.

Para esse exemplar, foi utilizado o ‘chipset’ Q77 e segundo consta, essa mesma placa pode vir equipada com B75/B77, o que é um tanto quanto peculiar, afinal de contas, a plataforma LGA2011 era equipada com o X79 ou C60X.

Existem uma série de diferenças entre esses modelos e isso pode trazer algumas limitações, por exemplo, o Q77 não deve permitir as memórias trabalharem acima dos 1600MHz, o que não acontece com os B75, por outro lado, esse ultimo possui apenas uma porta SATA 6Gbps e não tem nenhum indicador claro sobre qual ‘chipset’ a placa está usando, então, estejam cientes desses detalhes.

Tanto o codec de áudio (ALC892) utilizado quanto a LAN são fornecidos pela Realtek. Sobre o áudio, como é de praxe em 99.9% das placas-mãe atuais, foi montado em uma camada isolada do PCB, não possui isolamento metálico contra EMI e trás alguns capacitores extras para filtragem de ruído.

O painel traseiro é composto por duas portas PS/2 (teclado e mouse), seis USB 2.0, duas USB 3.0, LAN ‘gigabit’ e painel de som com seis jacks. Essa configuração costuma ser bastante comum nessas placas de origem chinesa e apesar de ser algo básica, não chega a ser ruim.

Sobre o dissipador utilizado no VRM da KLLISRE X79, trata-se de uma peça de alumínio com algumas aletas na parte traseira e que é presa na placa através de parafusos e que no caso, faz contato adequado com os mosfets. É necessário destacar que esse dissipador é de certa forma bastante similar ao que vemos em várias placas B450, como, por exemplo, a B450 Aorus M.

A respeito do VRM, o fabricante por um arranjo de 6+1 (VCORE+VCCSA) fases usando o controlador uP1618, os mosfets utilizados são um SM4377 (high side) e um SM4522HK (low side) por fase, sendo que os SM4377 suportam uma corrente máxima de cerca de 35A @ 100 °C e possuem um Tr (tempo de subida) de 12ns e Tf (tempo de queda) de 10ns, o que é bastante aceitável, enquanto os SM4522HK apresentam rds(on) @ Vgs = 10V de 2.65mΩ, o que seria bastante decente caso houvessem dois componentes desse em paralelo por fase, no entanto, como essa não é a realidade, então, torna-se algo apenas comparável ou um pouco pior que as B450 de entrada nesse departamento. Na fase dedicada ao VCCSA também são adotados os mesmos mosfets.

E na tabela abaixo, é possível ver as estimativas de dissipação de calor teórico do VRM com base os parâmetros disponibilizados pelo fabricante no ‘datasheet’ dos mosfets e para isso foram feitos os cálculos usando frequência da chaveamento (Fsw) de 300KHz, 1.4V na saída e Vgs de 10V. Esse intervalo nas correntes foi escolhido com base nos valores obtidos nos teste realizados com o E5 1650 em stock e overclock.

Sendo assim, para uma carga de 100A (E5 1650 totalmente em stock), a dissipação de calor ficou nos 11.9W, 125A (overclock sem vmod, parâmetros de “power management” relaxados) ficou nos 16.13W e 150A (overclock usando tensão que em tese é seguro para uso diário do ponto de vista da CPU) foi para 21.26W, o que é algo considerável para o dissipador utilizado e certamente obriga o uso de fan para refrigeração do VRM. De todo modo, essa analise foi feita com base nos valores teóricos e mais adiante, irei lhes apresentar como essa placa se comportou na prática. 🙂

Sobre a BIOS, como foi dito no artigo do overclock extremo dessa placa, é bastante simples e não apresenta ajustes de frequência de memória, tensões e relativo ao processador, o multiplicador fica limitado em 39X mesmo enquanto usando uma CPU destravada como é o caso, entretanto, existem diversos biosmod disponíveis que liberam ajustes de memória e permitem o processador ir além dos 39X. Na galeria abaixo, é possível ver as opções disponíveis para ajuste das memórias (créditos dessa foto para o pessoal do xeon-e5450.ru) e da CPU.

  • Configurações utilizadas:

CPU: Intel Xeon E5 1650

MOBO: Kllisre X79 (PlexHD X79 Turbo)

VGA: Galax GTX1650 Super (Obrigado Galax!)

RAM: 4×2 GB G.Skill PI 2200 CL7

REFRIGERAÇÃO: Watercooler da bancada

STORAGE: SSD HyperX 4K 120GB

EQUIPAMENTOS EXTRAS: Termômetro digital GM1312 e FLIR One LT

SO: Windows 10 x64 2004, Blender 2.82a e HWiNFO 6.28

  • Objetivo dos testes:

O objetivo desse artigo é verificar o quão bem a KLLISRE X79 se sai naquilo que diz respeito a overclock de memória e também testar o desempenho térmico da placa em condições de ‘stress’ com diferentes configurações enquanto usando o Xeon E5 1650

Explicações acerca da metodologia adotada ou de como os testes foram conduzidos estão contidas nos textos que acompanham os resultados a seguir.

  • Resultados – Frequência das memórias:

Apesar do biosmod liberar opção e até 2133MHz para as memórias, possivelmente por conta desse exemplar utilizar o chipset Q77, não foi possível ir além dos 1600MHz, com a placa sempre travando no post após as tentativas de ir além. Já em relação aos ajustes de latência, são funcionais, porém, não houve muita margem para ajustes mais agressivos (tCL e tRP abaixo de 8), possivelmente por falta de VDIMM (1.5V padrão) ou por essa placa não ser otimizada para memórias Powerchip X-Series, afinal de contas, a maior parte das pessoas que compram essa placa usam memórias ECC registradas da Samsung por conta do menor preço e maior densidade.

  • VRM e temperatura de operação:

Para verificar a temperatura do VRM, foi instalado um termopar tipo K com um thermalpad grudento diretamente em um dos mosfets de baixa localizados na parte de trás da placa e diferente do que era feito até então, onde usava o stress test do AIDA64 por 30 minutos para obter os resultados de temperatura do VRM, dessa vez foi utilizado o Blender 2.82a renderizando a demonstração “Classroom” por meia hora usando o HWiNFO para monitorar/ gravar o log dos “sinais vitais” do sistema durante o teste e ao fim, tomar nota tanto da temperatura ambiente quanto do termopar instalado na placa. Relativo à mudança no ‘software’ utilizado, foram dois os motivos que me fizeram optar por essa alteração:

  1. O Blender é ‘software’ livre e a animação “demo” utilizada é de domínio público, enquanto o AIDA é um ‘software’ comercial pago.
  2. A carga aplicada pelo Blender é mais “consistente” do que no AIDA sendo que esse último apresenta uma variação considerável na telemetria da corrente utilizada pela CPU ao longo do teste, algo que não ocorre com o Blender.

Na tabela abaixo é possível ver a temperatura ambiente ao término do teste em cada uma das situações que foram testadas sendo importante salientar que esses testes foram realizados em bancada aberta, sem fluxo de ar direto sobre o VRM e que a temperatura interna do gabinete costuma ser algo maior, a depender do hardware utilizado, projeto de ventilação do case e da própria temperatura ambiente da sala onde o computador está localizado.

Foram também testados dois cenários distintos:

  1. CPU completamente em stock – Frequência da CPU nessa condição fica em 3.5GHz, o consumo reportado pelo “CPU Package” em 113W, o que é bem próximo da diferença entre o consumo em load e idle medindo pelo wattímetro de tomada, a tensão medida pelo multímetro com “probe” instalada logo atrás do socket foi de 1156mV, ou seja, a corrente exigida pelo processador nessa situação foi algo na casa dos 100A.
  2. Overclock manual, no caso, 4.3GHz com as configurações na bios idênticas à foto acima e nessa situação, o “CPU Package” foi de 150W, novamente coerente com o medido pelo wattímetro (253W load, 87.5W idle), a tensão medida pelo multímetro com o “probe” instalado logo atrás do socket foi de 1210mV, ou seja, a corrente exigida pela CPU nessa situação foi de cerca de 125A.

Sobre os resultados, com o E5 1650 com overclock, a temperatura do VRM chegou a 84,6 °C, o que ainda está dentro de um patamar aceitável e seguro, enquanto em stock, foi registrado o valor de 65 °C, o que é uma excelente marca. Relativo aos valores teóricos que foram discutidos anteriormente, é considerável a diferença que apenas ~4W fizeram na temperatura e isso evidencia bem as limitações desse ‘design’ como um todo (dissipador + mosfets) e a razão da instabilidade generalizada com vcore acima dos 1360mV que foram observadas na sessão de overclock extremo, além da temperatura do VRM subindo rapidamente durante o Cinebench conforme apresentado no vídeo incluso nesse outro artigo.

Abaixo é possível ver as termografias da região do VRM nos minutos finais dos testes e as temperaturas reportadas, que foram algo superiores as do termopar, no entanto, os indutores podem ter sido os responsáveis por isso e nesse caso, essas temperaturas não seriam nada preocupante, pois eles são componentes passivos que trabalham dessa maneira sem problemas.

  • Conclusão:
  1. Do ponto de vista de layout, qualidade e recursos oferecidos, a KLLISRE X79 é bastante aceitável e de positivo, é possível citar a inclusão de botões on/off/reset e display 7-segmentos com post code, algo que os fabricantes costumam economizar mesmo em placas de segmento superior, portas SATA em ângulo nas laterais, NVMe com suporte a PCI-E 3.0 e suporte a quad channel, enquanto ela poderia ser melhor no número de fan headers e no seu posicionamento, que deixam um pouco a desejar e com a M.2 está localizada logo abaixo do slot PCI-E, o que inspira cuidados com a temperatura do SSD caso estiver usando uma placa de vídeo que desligue o fan em idle. A respeito do dissipador utilizado no VRM, o seu ‘design’ é simples, similar ao de várias placas AM4 de entrada que foram testadas aqui no site e dadas as limitações da placa no que diz respeito as opções para overclock, acaba atendendo bem, no entanto, não existe muita margem de manobra se o intuito for fazer vmod na placa para tentar extrair mais da CPU e nessa situação, o uso de refrigeração ativa torna-se inevitável.
  2. O exemplar que tenho em mãos utiliza o ‘chipset’ Q77, o que acabou por limitar a frequência máxima das memórias a 1600MHz, todavia, para placas equipadas com ‘chipset’ B75 essa limitação pode não existir. Ainda falando sobre overclock, é necessário destacar que para liberar as opções de ajustes de memória e multiplicador da CPU acima de 39X, é necessário atualizar a bios da placa com uma versão modificada, portanto, tenha isso em mente antes de adquirir o produto
  3. Sobre o VRM, é bom o suficiente para operação em stock ou overclock dentro daquilo que a bios modificada permite, ou seja, sem ajustes de tensão manuais ou coisas do tipo, entretanto, talvez ele sofra um pouco com CPUs maiores como o E5 1680 V2 e definitivamente não apresenta muita margem de segurança para ir além com overvolt na CPU via voltmod, ainda que estejamos falando de um ajuste que do ponto de vista do processador, seria completamente seguro para uso diário.
  4. Em relação ao preço, nesse exato momento (22/09/2020) a KLLISRE X79 pode ser encontrada no AliExpress por US$64.99 (cerca de R$375 + frete), o que apesar de suas limitações, ainda é uma placa bem decente por esse valor. Em que pese tratar-se de uma plataforma antiga e morta há muito tempo, mas o combo dessa placa + E5 1650 + 16GB de ram pode ser adquirido por cerca de R$800, o que aliado a uma placa de vídeo razoável, ainda pode oferecer desempenho bastante satisfatório pelo custo, portanto, se os riscos da importação não forem problema e o que estiver procurando é montar uma máquina ainda aceitável gastando muito pouco, definitivamente essa placa-mãe é uma boa pedida.

E por hoje é só! Dúvidas, críticas e sugestões são bem-vindas! Até a próxima!

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2 comentários

    1. Olá Alexandre,

      Em tese não tem nada que desabone, claro, se você não for fazer vmod na placa ou usar uma CPU ainda mais forte que o E5 1650 com overclock e full load sem as devidas precauções, no caso, ao menos um fan soprando no VRM.
      De todo modo, durabilidade é algo que só o tempo irá responder, pois, para fazer um teste desses propriamente precisaria de um número considerável de amostras para testar em condições controladas visando verificar quantas falham ao longo do tempo e com isso, ter alguma estatística a respeito.

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